Elas aceitaram o desafio de participarem como escritoras do blog e mandaram ver nas letrinhas para serem lançadas na web e isso é bom! Primeiro, porque escreveram direitinho e, depois, por não terem medo de expor seus escritos a crítica. Cada uma valeu-se de um gênero textual diferente e aqui temos uma crônica, uma fábula e um conto moderninho:

UM DIA ESPECIAL
No meu primeiro dia de aula na escola Gerson Lopes, conheci uma garota muito especial. Quando olhei nos olhos dela reconheci que era diferente, quando ela se aproximou e falou comigo me senti muito feliz. Ela me disse seu nome: Amanda. Quando ouvi, pesquisei o significado do seu nome: 'nascida pra ser amada' . Encontrei minha melhor amiga, esse dia foi como um paraíso pois nele aprendi o significado da verdadeira amizade. Tem vezes que fico chateada com a vida que tenho e reclamo com Deus mas, as vezes me vem pensamentos bons tipo o que já passei com minhas amigas. Os dias especiais com elas, as loucuras, minha família especial, tudo isso foi presente de Deus. Vendo que reclamei peço perdão a Deus. Quando estou com elas me sinto especial, importante, pois elas são como pérolas que mergulhei para encontrar. Isso é um tesouro que pra sempre vou guardar e hoje posso dizer que nunca vou esquecer e que pode contar comigo pra o que der e vier e que nunca se envergonhem pelo que são pois eu as amo do jeito que são. E pelo fato de conhecer elas considero esse dia como meu dia de sorte e esse dia é muito especial. Eu agradeço a Deus por ter traçado nossos caminhos.
Andressa Vanessa Alves de Amorim / 6ºB
O AMOR DE UM PEIXE
Certa vez um pescador pescou um salmão. Quando viu o seu tamanho falou:
_Que peixe maravilhoso! Vou levar para o barão. Ele adora salmão fresco!
O pobre peixe pensou: 'Ainda posso ter alguma esperança."
O pescador, cumprindo o que tinha dito, levou o peixe até um lugar muito nobre. O guarda na entrada logo pergunta:
_ O que tem ai?
_ Um salmão. Respondeu o pescador.
_ Ótimo! Disse o guarda. O barão adora peixe fresco!
O peixe deduziu que havia motivos para ter esperança. O pescador entrou na casa. Embora o peixe não pudesse respirar, ainda estava otimista, afinal.
O peixe foi levado até a cozinha e todos os cozinheiros comentaram:
_ O barão gosta de salmão!
O peixe foi colocado sobre a mesa. O barão entrou e ordenou:
_ Corte a cauda e a cabeça, abra o salmão e tempere-o com os melhores temperos.
Com o seu último sopro de vida, o peixe gritou desesperado:
_ Por que você mente? Se você realmente me ama deveria cuidar de mim e deixar que eu viva. Você não gosta de salmão! Você só gosta de si mesmo!
MORAL: QUEM AMA PROTEGE
Gabriela Soares Fernandes / 6ºA
O DIÁRIO
Em uma cidade chamada Paraíso, vivia três amigas que se chamavam Rosa,
Bela e Carol.
Como todo mundo, Bela tinha um sonho: queria ser a melhor surfista daquela região. E suas
amigas apoiavam esse sonho.
Então, ela resolveu entrar em uma escola de surf. Todos os dias suas
amigas iam visitá-la.
Mas também existia outra menina: Bárbara. Ela era a mais popular da
escola e odiava Bela. Bruno, o surfista mais gato daquela escola só tinha olhos
para Bela e Bárbara não suportava isso.
Em um certo dia, Rosa, Bela e Carol foram a uma loja comprar roupas
para seu primeiro concurso mas, chagando lá, a primeira pessoa que elas viram
foi Bárbara e suas outras duas amiguinhas, Pilar e Thais.
Então, Bela olhou para suas amigas e disse:
_Vamos voltar outra hora. Não tem problema! Eu espero elas saírem.
Carol falou:
_Nada disso! Vamos mostrar a elas que você não tem medo delas.
Rosa falou:
_É isso ai!
E ocorreu tudo bem. Escolheram suas roupas e foram até o balcão de
vendas para pagar, quando Bela virou para o lado, Bárbara estava lá para pagar
também. Bárbara olhou para ela e disse:
_Essa ai e sua roupinha mixuruca! Com essa roupinha você vai ser
expulsa da competição.
Carol já queria arrancar todos os cabelos dela, um por um. Mas, Bela e
Rosa não deixaram. Acharam melhor deixar com o destino, porque aqui se faz e
aqui se paga.
Bárbara, Pilar e Thais foram embora e a vendedora chamou elas:
_ Ei, venham cá !
Então ela mostrou as pulseiras a Bela e mandou ela escolher uma. Ela
escolheu uma linda pulseira lilás com rosa que tinha um lindo pingente de
prancha de surf.
A vendedora disse:
_Boa escolha! Essa pulseira vem com um lindo diário rosa Pink. Você
pode escrever tudo nele! É lindo! E você não vai precisar pagar: estou te dando
pois te achei muito legal.
Bela respondeu:
_Muito obrigada, moça!
E, voltando-se para as amigas, disse:
_Vamos, meninas! Estou ansiosa para chegar em casa e escrever no meu
diário.
Rosa e Carol disseram:
_Então vamos!
Chegando em casa, Bela descobriu que a pulseira era a chave do diário
e que era só passar por cima do diário que ele se abria.
Então, ela começou a escrever no diário:
“Querido diário
Eu queria dormir bem e sonhar com Bruno, o amor da minha vida. E não
acordar atrasada e nem com sono, amanhã, para ir ao concurso. Eu queria muito
ganhar aquele dinheiro e me casar com Bruno, ser feliz para sempre.”
Depois, Bela fecou o diário e foi dormir.
No dia seguinte, acordou duas horas antes do campeonato e com uma
energia inexplicável. Estava muito feliz por ter dormido bem e sonhado com
Bruno, o grande amor da sua vida. Foi então que Bela percebeu que a pulseira e
o diário traziam muita sorte.
Quando ia chegando perto do do local onde estava havendo o concurso,
avistou suas duas amigas indo comprar lanchinho
ela, imediatamente foi falar com elas mas, ao abraçá-las, sua
pulseirinha caiu e ela não percebeu.
Chegando ao concurso, ela avistou Bruno e foi correndo abraçá-lo, foi
então que percebeu que a sua pulseira tinha caído e, nervosa, falou:
_ Não acredito! Perdi minha
pulseira...
Bruno perguntou:
_Mas, para que tanta preocupação é só uma pulseira!
Bela respondeu:
_Não é só uma pulseira: ela me traz sorte, sem ela não conseguirei
vencer o concurso.
Ele disse:
_Mas, que bobagem, Bela! Sua sorte não vem da pulseira e sim do seu
coração.
Bela, muito feliz com essas palavras, deu um grande beijo apaixonado e
foi competir, pois já era sua vez.
Bruno, preocupado com o resultado, ficou andando de um lado para o
outro, até que ele achou sua pulseira e considerou que era melhor só entregar
quando saísse o resultado.
Quando terminou o concurso, Bela foi declarada campeã. Então, Bruno
entregou-lhe a pulseira. Anos depois os dois casaram e são felizes até hoje.
Vitória Namonielle de Lima Morais / 6ºC
A Olimpíada de Língua Portuguesa é uma excelente oportunidade para que os alunos ampliem suas experiências de leitura e, principalmente, sejam estimulados a escrever textos nos gêneros poemas, memórias literárias, crônicas e artigo de opinião. Nesta postagem, publicamos os escritos produzidos pelas alunas nas oficinas da OLP desenvolvidas pela Prof.ª Adriana Sousa.
O tema O lugar onde vivo foi a inspiração para os discentes. Agora, é nossa satisfação postar em memórias e poemas o que as pequenas 'escritoras' Alana e Maiver nos contam
HISTÓRIAS DA MINHA AVÓ
Maria Auxiliadora, conhecida como Dôdora ou, simplesmente, minha adorada avó que tem 61 anos de idade e já viveu muito, nasceu, cresceu e vive até hoje no Bairro Bico Torto. Ela gosta de contar as histórias da sua infância e me mostrar como era diferente a vida na sua época.
Um dia, ela me pôs no colo e começou a me contar a história da sua vida:
" Ainda sinto o cheiro das árvores que rodeavam o lugar onde eu morava.
O Bico Torto tinha poucas casas, não tinha luz elétrica. Era preciso pegar água na cacimba para beber e usar nos afazeres domésticos. Não tinha televisão, computadores e outros equipamentos da modernidade.
Eu adorava brincar de bonecas! Bonecas que eu mesma fazia com sabugo de milho. Brincava de ciranda, passar o anel, amarelinha, esconde-esconde, cabra-cega... como era bom! Dávamos as mãos e rodávamos cantando a música: atirei o pau no gato e , também, tinha a brincadeira do camaleão. Todos ficavam em fila e o grito soava:
_Cadê o camaleão?
E gritavam de volta:
_ Está aqui!
E dava um passo para frente...
Todas essas brincadeiras as crianças não brincam mais!
Eu ia para a escola todos os dias. Aprendi a soletrar, a ler e a escrever. Lá não tinha o que tem hoje: computador, dvd, livros de todas as matérias. Não tinha merenda. A professora não escrevia em quadros. Ela usava a cartilha, passava a lição e se tivesse errada levava bolo nas mãos. Tínhamos que respeitar a professora, respeitar os mais velhos também, principalmente, os nossos pais.
Saíamos para as novenas com os pais do lado. Nós não podíamos sozinhas. A primeira vez em eu e minhã irmã saimos sozinhas foi uma alegria, só que, quando alguém passava por nós, íamos para trás, para ficarmos sozinhas.
Os namoros naquela época era em casa, na frente dos pais. E o pai tinha que conceder. E não podia namorar na escola. Quando resolviam casar, ficavam noivos e algum tempo depois se casavam na igreja.
Já trabalhei muito. Apanhei feijão, algodão, milho, café. Plantei e fazia tranças para fazer chapéus e vender. Com o dinheiro comprava roupas. Cresci, me casei e tive oito filhos. A educação deles era parecida com a minha: trabalhar e respeitar os mais velhos.
Hoje sou aposentada e posso aproveitar para descansar, pois a vida não foi fácil para mim."
Alana Cristina de Oliveira Martins/ 7ºA
MINHA CIDADEZINHA
Minha cidade é pequenininha
Lugar de gente bonita e humilde
Há muitas festas divertidas
Há também alegrias e diversões
Aqui em Apodi tem muitas festas
Animadas vaquejadas
Quadrilhas são as que eu acho mais divertidas
Mas não tem só essas duas
Tem também a festa do padroeiro
São João Batista
Onde vai muita gente cantar
Para se alegrar
Lá na minha rua
Acontece uma festa de quadrilha
Onde tem muitas crianças dançando e desfilando
Algumas mães olhando
Seus filhos
Porque os filhos são sua grande alegria
Depois da dança e do desfile
Fazem forró com pessoas
Animadas e divertidas
a dançar
E é por essas e outras razões
Que eu gosto muito de viver nesse lugar
Maiver Alves Freitas / 6ºA
***
Tão pequenas que são mas, já nos ensinam que todos podemos escrever nossas lembranças e impressões de mundo. Pode ser por observar a vida ou por conversar com quem já viveu mais. O que vale é a nossa disposição para aprender. Porque ninguém precisa ser um grande poeta ou escritor de qualquer gênero ou querer ganhar fama... aqui, também vale registrar memórias, histórias, fatos ou o jeito que a gente vive em nosso lugar.
A nossa leitura de hoje nos foi recontada pela aluna Danielly Martins - estudante do 6ºC. Quem nos indicou essa leitora foi a Prof.ª Maria Francisca que percebeu o apreço da sua aluna pelos livros e, sem hesitar, convidamos a menina para compartilhar neste espaço uma das suas preferências literárias. O livro que Danielly aqui sugere é A Bailarina Fantasma, da autoria de Socorro Acioli. E assim ela nos resume história lida:
"Anabela, ficou orfã de mãe quando era muito nova e passou a viver com seu pai. O Marcelo, pai dela, era engenheiro e um dia foi chamado para trabalhar no teatro José de Alencar. E foram convidados para um concerto. No teatro, Anabela conheceu uma bailarina. E, só ela via a bailarina. Então a bailarina pediu que Anabela fosse ao teatro todos os dias. Anabela contou essa história para sua amiga mas, a sua amiga não acreditou.
Certo dia, o carteiro entregou as fotos do concerto aí, a amiga de Anabela começou a acreditar.
Quando Anabela foi novamente ao teatro, encontrou a bailarina. A bailarina chamou Anabela para o porão e nesse porão tinha um baú e nesse baú tinha um fundo falso que tinha um diário da mãe da bailarina. No diário, estava registrado a história da bailarina que se chamava Clara. Clara gostava muito de um menino que se chamava Gabriel. Eles se comunicavam através de cartas e nas cartas eles falavam o quanto gostavam um do outro.
Certa vez eles começaram a namorar escondido do pai de Gabriel. Então a mãe e a tia de Clara vieram da europa para Fortaleza. A tia de Clara começou a ensaiar com ela. Mas, a tia ficou doente e mandou Clara e Gabriel ensaiarem. E entre eles surgiu um romance porém, quando o pai de Gabriel descobriu, proíbiu o namoro e ainda mandou Gabriel morara em São Paulo. No entanto, Gabriel tinha um sonho diferente do que o pai tinha para ele e, antes de ir embora, Gabriel se encontrou com Clara, no teatro.
Aconteceu então, que Clara engravidou e escondeu sua gravidez da família de Gabriel.
Clara escrevia cartas para Gabriel mas o pai dele pegava todas as cartas.
Passado oo nove meses, Clara teve sua filha, sozinha, no porão do teatro. Ela deu o nome a sua filha de Clarissy.
O pai de Gabriel contratou um homem para tocar fogo no porão na intenção de queimar as roupas de Clara mas, infelizmente, ele queimou também Clara e a sua filha. Clara morreu e Clarissy foi adotada por uma família desconhecida.
Quando Anabela terminou de ler o diário, Clara disse que ela fosse atrás de Gabriel e Clarissy. Ela foi atrás de Gabriel e contou a história de Clara e Anabela. Anabela e Gabriel foram atrás de Clarissy.
Clarissy tornara-se uma mulher muito bonita e rica. Anabela contou a história de Clara e todos foram para o teatro para melhor compreenderem tudo que ali tinha se passado. Eles foram se aproximando mais e mais e Anabela ficou muito emocionada em poder ter reaproximado Gabriel da sua filha Clarissy."
***
A bailarina fantasma é um dos meus livros favoritos pois é muito emocionante de se ler e o que a autora escreveu foi baseado em histórias relatadas por pessoas que trabalhavam no Teatro José de Alencar, que fica próximo da gente, aqui na cidade de Fortaleza/CE. O que eu mais gostei na história foi quando ela descobriu que estava grávida e, mesmo sozinha, decidiu ter a sua filha. Foi uma decisão muito corajosa! E achei muito triste quando Clara e sua filha estavam no porão e ela morreu queimada. Se eu fosse a autora da história, permitiria que o pai de Gabriel aceitasse o namoro entre Gabriel e Clara e respeitasse os sonhos do seu filho para que assim, o final fosse bem mais feliz!
Por Danielly Martins de Amorim Silva
Foi fácil perceber o quanto essa pequena gosta de ler. Desde o início das aulas ela nos chamou a atenção pelas suas idas e vindas a biblioteca da escola. Era sempre assim: ia com um livro e voltava com outro! E já voltava folheando, como quem tenta adivinhar o que tem de bom e divertido impresso naquelas páginas.
Então, lhe indicamos O sonho de Beto, de Ruy Gentileza e Nair Medeiros. Mas, era para ler e comentar o livro, porque queríamos postar em nosso blog. Karollayne não pensou duas vezes e aceitou a nossa proposta. E hoje , com grande satisfação, apresentamos a pequena leitora em nossa página:
O SONHO DE BETO
A história que eu li é muito emocionante pois fala de um menino que não sabe quem são os seus pais. O seu nome é Beto, ele não tinha casa para morar e eu, senti muita pena de Beto. O menino, catava papéis nas ruas e a história diz que, um dia, ele encontrou um amigo e eu gostei dessa parte, sabe! Eu não gosto de ver as crianças sem pais, sem ter o que comer e sem lugar para morar. Eu fico muito triste.
Tem uma parte que Beto pediu ao amigo dele, que se chama Gentileza e trabalha numa creche nova do bairro, para ir conhecer a creche. Tem outra parte da história que me emocionou muito, foi a que Beto ficou doente e o sr. Gentileza foi procurá-lo e conversou com Danilo, um amigo de Beto, e Danilo disse que Beto estava muito doente. E o sr. Gentileza foi encontrá-lo debaixo da escadaria da igreja. E Beto estava pálido e muito fraco e ele não tinha mais forças para falar direito. Então o sr. Gentileza levou o Beto para o hospital e ficou cuidando dele e lhe deu muito carinho. Quando o menino ficou curado e o seu Gentileza foi vê-lo e disse a Beto que ele ia morar na creche e lá ia brincar, estudar, comer e fazer tudo que ele tinha vontade.
Eu gostei muito mesmo dessa história, eu amei a história de Beto. Gostaria muito que outras pessoas lessem também.
***
Karollayne tem 10 aninhos e é aluna do 6ºA, ingressou na EEPGL no ano letivo de 2012 e já é muito queridinha de todos nós. Menina esperta, falante que só ela, é fissurada em leituras e tem uma receitinha de espeto de rã que só entende quem, a seu exemplo, também gosta de ler, não é assim, menina?
Publicado na revista Carta na Escola, edição nº62, o texto "Todos ri", de Fábio Yabu, emociona pela dose exata de ternura com a qual ele relembra os ensinamentos dos pais. Lições simples, mas que moldaram o seu caráter, firmaram valores e motivaram um olhar solidário para o próximo. Muito bom! Então vamos, com essa leitura, refletir sobre as nossas condutas, seja na vidinha real ou nas redes virtuais:
"Meus pais foram os melhores professores que já tive. Nascidos em famílias humildes no interior de São Paulo, tiveram as vidas moldadas pelo sacrifício. Como vocação, abraçaram o ensino da Matemática na rede pública e, ano após ano, escola após escola, cidade após cidade, galgaram seu lugar ao sol até as areias de Santos, onde hoje aproveitam a merecida aposentadoria. Poucas vezes precisei recorrer a eles quando tinha um problema matemático. E atrevo-me a dizer que aprendi coisas muito mais importantes do que bhaskara ou algoritmos. "Em boca fechada não entra mosca". "Quando um burro fala, o outro baixa a orelha". "Trate os outros como gostaria de ser tratado". Resumindo, papai e mamãe me ensinaram a ser comedido com as palavras, a escutar a opinião alheia e, o mais importante, a ter compaixão.
Ao longo dos anos, fui crescendo com filhos de outras pessoas que aprenderam lições parecidas. Que prezavam o trabalho duro, admiravam a inovação e buscavam um futuro melhor. Meninos e meninas que, como eu, viam nos olhos de seus pais aquele medo de que a incerteza política e econômica os jogasse novamente contra a linha da pobreza.
Hoje, os tempos são diferentes. Entre uma crise e outra, entre tempestades e marolinhas, o País melhorou. E eu, que nunca tive de dormir ao relento como meu pai menino, ou trabalhar em uma fábrica de sapatos como minha mãe menina, agora tenho uma filha de 10 meses dormindo no cômodo ao lado. Evidentemente, nem tudo está melhor. Pelo contrário: estou certo de que perdemos algo precioso. Notadamente, na última década. Pais e filhos parecem anestesiados pelo infindável ciclo de crimes, corrupção, escândalos e impunidade. Certamente, a internet e a falsa sensação de anonimato proporcionada pelas telas também entrou na conta. E o resultado foi uma geração de cínicos que acham graça em tudo e não se concentram em nada. Q ue confundem "humor" com "calúnia' e "liberdade de expressão" com "impunidade". Que disparam ironias como chimpanzés atirando cocos sem se importar com o conteúdo ou quem vão atingir. E acusam seus opositores de serem "politicamente corretos', como se fosse esse o verdadeiro mal que nos aflige.
Casos recentes como a doença do ex-presidente Lula, que gerou a primeira campanha pró-câncer de que tive notícia, ou a agressão à repórter televisiva Monalisa Perrone, que virou motivo de piada nas redes sociais. A moça foi agredida ao vivo por um rapaz um pouco mais jovem do que eu, com um sorriso de quem ganhou uma competição olímpica. E a juventude aplaudiu virtualmente, na forma de "KKKs", "LOLs" e "HEHEHEs" compartilhados no Twitter e no facebook onde "todos ri" (sic).
A internet é algo maravilhoso. É possível aprender praticamente qualquer coisa, de idiomas a projetos de bombas. Por outro lado, penso que precisamos nos voltar para as lições simples que aprendi com meus pais, que todo professor tem dentro de si e que só podem ser transmitidas de um ser humano para outro. Não proponho aqui nenhuma mudança no sistema de ensino. Trata-se apenas de um apelo desesperado enquanto minha filha não acorda: pais e professores, precisamos ensinar nossas crianças a reparar. A se importar: que a dor do próximo também é nossa e jamais deve ser motivo de risadas. Que essa história coletiva que se repete a cada episódio triste está ofuscando nossa verdadeira natureza. Tornando-nos menores, mais tolos, menos humanos. Ou como minha mãe sempre resumiu muito bem: "Agora está todo mundo rindo, mas daqui a pouco tem um chorando".
E, dentre as coisas boas que a internet possibilita, destacamos aqui, o contato com o autor! E ele nos deu autorização para publicarmos neste espaço o seu escrito.
Valeu a gentileza!
O nosso agradecimento mais sincero e votos de sucesso para o seu novo livro.
Confiram o book trailer:
Quem assistiu a telenovela Cordel Encantado, veiculada na Rede Globo, certamente divertiu-se com a história que mesclou os contos de fadas europeus com a cultura nordestina: reis, princesas e príncipes encantadores, castelos, poções mágicas X cangaço, paisagens sertanejas,vocabulário arretado e por ai vai. Não deu outra: resultou numa originalíssima trama, de gostinho bem popular.
A novela nos apresentou personagens apaixonantes como o protagonista Jesuíno Araújo, inspirado no cangaceiro patuense Jesuíno Brilhante, conhecido como "o cangaceiro romântico"; a bela Maria Cesárea, mulher dotada de indizível talento culinário; o esperto Eronildes, ou Nidinho, menino levado da breca que, só mesmo ele com um jeitinho especial, dava vida e voz as inertes estatuetas; a valente e justa Doralice.
Não poderia passar despercebida a menina Antônia, interpretada pela atriz Luiza Valdetaro.
Menina rica e bela, filha de coronel. Educada nos rigores do machismo sertanejo, sequer aprendera a ler e suportava com conformada submissão as decisões do pai e as sandices do seu irmão Timotinho Cabral. Mas, achou a jovem de casar-se com o delegado Batoré, homem mais velho que lhe dedicava verdadeira adoração a ponto de 'não tocar em um só fio do seu cabelo dourado sem o seu consentimento'. Batoré lhe ensinou as letras e, inteligente, a menina Antônia descobre a leitura e que a leitura lhe dava o poder do conhecimento, de tomar decisões seguras e do seu querer, de opinar e expressar as suas ideias sem medo.
Disse a menina:
' Minha felicidade está nos livros e, letrinha por letrinha, estou conseguindo me encontrar com ela"
"Os jornais, as revistas,os livros, são uma janela para o mundo"
Uma valiosa mensagem sobre a importância da leitura dada por uma personagem que, por meses, se apresentou nos lares brasileiros através de um dos meios de comunicação mais popular: a TV aberta.
E para fazer jus a tão bem elaborada personagem, um tema lindo de se ouvir e de se ler: Melodia Sentimental, de Heitor Villa Lobos com poema de Dora Vasconcelos.
LEIA:
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir seu amor é sonhar
OUÇA :
Foi ao ar em janeiro de 2011, na telenovela Ti-ti-ti, exibida às 19h pela Rede Globo de Televisão, uma cena cativante apresentada pelos personagens Marcela (Ísis Valverde) e Renato ( Guilherme Winter). Na cena, Renato, descreve a intensidade do seu sentimento diante de uma débil e efêmera intenção amorosa de Marcela e, tentado a reconquistar sua amada, declama os lindos versos que compõem o soneto 'Fanatismo', escrito por Florbela Espanca em 1916, numa sincera definição do romance entre eles:
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão de meu viver,
pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
no misterioso livro do teu ser
a mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizes isso, toda a graça
duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
que tu és como Deus: princípio e fim!..."
Não! Amor assim, tão desmedido, nem todos são insanos a tal ponto ou, a tal ponto agraciados. Mas, é inegável : é preciso muita indiferença para não apreciar essa composição quase centenária e, mesmo assim, plagiada pela música brasileira numa agradável interpretação do cantor Fagner e, mais recente, pela teledramaturgia global.
Formidavelmente, é da mesma autoria esse texto:
AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e a toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
e é preciso cantá-la assim florida
pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada,
que seja a minha noite uma alvorada
que me saiba perder... pra me encontrar!
De um verso a outro, que expressão mais fiel de amor... a si mesma! Que pretensão infiel de romance e que disposição para amar de modo tão inconstante! Talvez, até um contraste com a fanática paixão narrada no 1º soneto. Ambos, porém, muito bem elaborados e de fácil apreciação. Assim é a poesia de Florbela: apaixonada, delirante mas também, melancólica e, sobretudo, feminina!
Para conhecer mais da poesia de Florbela acesse: POEMAS EM ÁUDIO . Na voz de Miguel Falabella, outras composições são apresentadas para download.
Para completar a leitura, bom mesmo é ouvir a canção na voz de Raimundo Fagner:
Autora do vídeo: Valdenia .
Cléa Morais
Publicada na Revista Cláudia, em novembro de 2010 , a matéria Espelho seu, apresentava as leitoras um perfil de oito personagens femininas dos grandes romances da literatura brasileira, descritas pelo poeta e cronista gaúcho Fabrício Carpinejar. E ainda lançava as mulheres o desafio de identificarem em si, características e comportamentos eternizados pelas musas literárias. Sem desmerecer os créditos do texto original, republicamos, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, tão divertida matéria:
ESPELHO SEU
O livro é um espelho portátil que podemos levar para qualquer lugar. Um espelho inclinado. Retrovisor de cama. Todo leitor vai procurar sua história em cada leitura. Rastrear sua infância. entender suas manias, ganhar argumentos para seus impasses. Tanto que acredito que há três tipos de escritor:
- Aquele que faz a gente fugir de nossa vida, num movimento de evasão;
- Aquele que faz a gente assumir nossa vida, produzindo identificação;
- E o melhor, aquele que nos devolve a própria vida, criando uma súbita e necessária intimidade.
Nesta brincadeira apresentamos oito personagens da literatura brasileira. São ficcionais somente para quem não acreditar nelas. Será natural abraçá-las, enxergá-las na rua, no trabalho, dentro de casa. A pergunta que não tem como abafar será: “Eu a conheço de algum lugar?” Sim, conhece, mesmo que ainda não tenha lido o livro de onde ela saiu. Talvez seja você mesma. Ou no passado. Ou no futuro. Essas mulheres representam comportamentos, disposições sentimentais, brechas amorosas. São tipos psicológicos convincentes, que já entraram no imaginário popular. Ler é conversar com a própria imagem. Qual é a sua? ü A libertina C.L.B
A casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro
Sexo sem culpa? Sem moralismo? Sem arrependimento? É , proeza dessa baiana de 68 anos, residente no Rio de Janeiro, que não teve medo de conhecer o prazer a fundo, o ritmo de sua nudez, e descreve seus principais e tórridos casos. Picante, atrevida, sestrosa. Apresenta a força excitante da palavra, a sedução verbal, e realiza o sonho de viver ao máximo para depois ficar rindo à toa dos preconceitos dos outros.
ü A enigmática Capitu
Dom Casmurro, Machado de Assis
“Olhos de ressaca. Trazia não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saia delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.” Hipnotizante, de poucas palavras, faz Bentinho enlouquecer de ciúme. Encarna o mistério: até hoje se discute se ela traiu ou não o marido. Representa a sutileza feminina, o ardil de contar com a precipitação masculina para não falar nada. Insinua e não confessa. Apaixonante, fiel a si mesma, guarda os segredos até o fim. E mostra que o homem é naturalmente paranóico, pois prefere adivinhar em vez de perguntar.
ü A teimosa Ana Terra
O Continente, Érico Veríssimo
Mulher que não se dobra fácil para a paixão. Absolutamente receosa, primeiro desconfia que está apaixonada e depois faz uma série de testes para ver se realmente o homem a merece. Ana Terra não facilitou a vida de Pedro Missioneiro, que chegou a trabalhar na estância da família. Antes de se entregar, infernizou a vida do pobre sujeito. Botou cinza fria em sua comida e encheu de sal seu pote de leite. Cuidado: ela tira o amor de dentro do ódio.
ü A crédula Macabéia
A HORA DA ESTRELA, Clarice Lispector
História triste é bobagem perto da de Macabéia. Nasceu no sertão de Alagoas, seus pais morreram quando tinha 2 anos e ela morou com a tia beata, que dava cascudos em sua cabeça para não pensar bobagem. Quis ter um cão mas não podia. Não achava que merecia nem o amor de uma cão, mas somente o amor das pulgas. Pode? Acreditava em tudo o que diziam: que o ovo faria mal ao fígado, que era feia, que iria para o inferno. Sua única esperança era pintar as unhas de vermelho. Colecionava anúncios de jornais, alimentando a ilusão de uma vida melhor. É aquela que tem medo de incomodar, que dificilmente confessará seu anseio. É tão carente que é capaz de se anular. Perdeu o namorado, Olímpico, para a amiga Glória. Nem brigou, aceitou o que o destino queria. Vai procurar uma cartomante para ouvir o que deve fazer.
ü A separada Mercedes
DIVÃ, Martha Medeiros
Mercedes resolve fazer análise pela primeira vez. O livro todo é uma confissão dos segredos e dos medos de uma mulher com mais de 40 que enfrenta a separação depois de um longo casamento. Como reconquistar a confiança e recomeçar? Como não se sentir trocada? Ela tenta se adequar ao mundo de solteira, sair de novo, namorar, apoiando-se nas amigas para retomar a vida sexual. Enfrenta situações engraçadas ao se envolver com um homem mais jovem. Operação difícil: vencer o pânico da mudança de costumes e superar a sensação de estar envelhecendo. Há na Mercedes um questionamento bem moderno da mulher que, além de ser feliz, busca entender sua felicidade.
ü A disfarçada Diadorim
GRANDE SERTÕES: VEREDAS, Guimarães Rosa
Diadorim é a mulher-neblina. Aquela que vai boicotar sua beleza, se esconder em figurinos toscos, tentar alisar os cabelos quando maravilhosamente crespos, passar a máquina zero quando lisos. Sofre do complexo de Joana D’arc: renuncia ao corpo por uma causa. Nunca está satisfeita com a aparência e prefere mostrar que é forte e viril e não precisa de casamento. Por mais que tente sufocar a feminilidade, a doçura dos olhos verdes contraria o destino de jagunço. No romance de Rosa, Riobaldo se apaixona por Diadorim, colega de guerrilha no sertão, mas pensa que ela é ele: Reinaldo. A moça morre em combate contra Hermógenes, o assassino do pai dela.
ü A fiel Dona Flor
DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, Jorge Amado
Cor bronzeada, cabelos lisos e negros, olhos sensuais e lábios grossos, Flor se apaixonou por um canalha. Enfrentou a mãe, Rozilda, para casar de qualquer jeito com o malandro Vadinho. Sedutor, era um amante fogoso que pedia para ela se despir inteira, coisa incomum diante dos recatos de um casamento. Foram sete anos de união, em que Flor entregava-se com vorocidade ao sexo e depois passava a noite em claro esperando seu amado voltar. Suportava suas galinhagens e gastanças. Vadinho morre e ela continua desejando-o, mesmo casada com Teodoro. Segue recebendo o fantasma em sua cama. Não larga um amor nem depois da morte.
ü A injustiçada Lúcia
VESTIDO DE NOIVA, NELSON RODRIGUES
Nunca aceita a responsabilidade pelo seu destino, culpa a falta de sorte e o olhar gordo dos próximos. É a ciumenta, que julga sempre que teve o seu amor roubado. Compete com as próprias conhecidas para conquistar alguém. Ao brigar com o namorado, vai desconfiar que foi outra. Não tem amigas, mas adversárias. Ela perdeu seu amor, Pedro, para a irmã, Alaíde. Os dois casaram e experimentaram uma história de permanente suspeita e de adultério.
Publicado na revista Cláudia, novembro de 2010, p. 180-183 ( Número 11 / Ano 49)
A proposta feita pelo escritor Bruno Coriolano foi bem irresistível: ele nos concedeu um conto de sua autoria para que os alunos tentassem escrever o final. O conto foi este:“O que aconteceria se Galileu estivesse errado? E se o cosmo não existisse, ou não passasse de um sonho? Afinal, quantas vezes não fomos surpreendidos por sonhos que parecem reais? Temos condição de afirmar, com absoluta certeza e segurança, que fenômenos que a ciência pretende conhecer não são mentiras ou ilusões produzidas durante um sono eterno? E se existisse um Deus todo-poderoso, onipotente, onipresente e onisciente, mas malicioso e impiedoso, que tivesse como diversão enganar-nos sempre, fazendo-nos crer que o mundo existe ou que os enunciados matemáticos, físicos, químicos, lingüísticos e os demais são verdadeiros? Como então aplicar as práticas, que podem ser falsas, a um mundo que talvez nem mesmo exista?”
Inquietações como estas me fazem sempre refletir a respeito da vida que tenho levado. E se eu já estiver morto, e estiver nesse mundo tendo apenas uma segunda chance? Algo tipo uma oportunidade de provar que tudo que ando fazendo tem algum sentido? Nunca saberei, mas a história que relatarei será uma aventura vivida por mim que pretendo contar antes dos vermes comerem minhas carnes.
Na noite passada, ao deitar-me, senti uma sensação, não ruim, de inquietude e senti meus sentidos mais aguçados do que nunca. Sentia como se estivesse me transformando em um mutante ou algum super-homem. Era como um sonho real, ou melhor, era como está vivendo momentos de um sonho real. Ao despertar no meio da noite, resolvi sair e ver como as coisas estavam ao redor do mundo. Notei então que os acontecimentos já não eram mais os mesmo de outrora.
E os escritos da galerinha que foram selecionados foram estes:
UM SONHO REAL
Era como se houvessem banido toda a maldade do mundo. As pessoas sorriam felizes, o céu tinha um brilho lindo e encantador, os pássaros cantavam canções de paz. A praça próxima a minha casa estava repleta de amor, casais apaixonados sentavam ali. Parecia que eu estava em um conto de fadas.
Andei mais um pouco e cheguei ao centro da cidade. Não havia mais aqueles prédios enormes tapando a visão das pessoas. No lugar deles havia árvores, flores e crianças brincando felizes. Foi ali onde vi que nem tudo estava perfeito, havia uma criança que não se divertia com as outras, ela apenas chorava e repetia sem parar:
_ Não é real, não acredite!
Ao me aproximar dela perguntei:
_ Por que não está se divertindo com as outras crianças?
E ela apenas repetiu:
_ Isso não é real, não acredite!
Eu fiquei confuso, não entendia o que aquela garota queria dizer. Ao olhar bem no fundo dos olhos dela percebi que o que ela via não era o mesmo que eu. Nos seus olhos passavam cenas de desespero e dor. Quando me virei, percebi que nos olhos de todos passavam o mesmo. Então fechei os olhos por um momento, quando abri tomei um susto. Vi que era como se estivesse ocorrendo o fim dos tempos. As pessoas que eu havia visto se divertindo, estavam na verdade, brigando. Estavam ocorrendo guerras e catástrofes ambientais. Mas, no céu havia uma luz e nessa luz havia anjos e entre os anjos estava Jesus.
Eles traziam uma mensagem que eu não havia entendido o significado. Eles diziam para nós preservarmos o mundo, pois não tínhamos muito tempo. Mas para que preservarmos? O mundo agora já estava no fim e nada mais poderia ser feito. Quando eles pousaram na terra, os olhares das pessoas, que até então, estavam cheios de sofrimento, se alegraram com esperança.
Os anjos do bem lutaram contra os do mal, o mal perdeu, sendo obrigado a sumir com seus seguidores e o bem reinou na Terra, os anjos se juntavam com as pessoas que haviam sobrado ali. O fato era que eu não conseguia me mexer, não conseguia sair do lugar onde estava.
De repente uma voz soou atrás de mim:
_ Daniel, Daniel _ repetia _ acorde!
Ao me virar, vi Jesus!
_Acorda Daniel, abre teus olhos.
Mas eu estava com os olhos abertos, o que estava acontecendo? Era o que eu queria saber. Então fechei os olhos com força e quando abri vi a imagem minha querida mãe, me acordando. Já havia amanhecido e eu nem percebera o despertador tocando.
Pela janela vi o dia maravilhoso que acabara de nascer. E percebi que tudo havia sido apenas um sonho mas, a mensagem dos anjos ficaria para sempre comigo.
Autora: Maria Victória da Silva Oliveira, 14 anos / 9º B vespertino
Orientadora: Prof.ª Vanicleide Soares Gomes
UM MUNDO PERFEITO, UM MUNDO MELHOR
Tudo estava diferente, pelo menos aos meus olhos. Não existia mais violência e nem drogas; as pessoas podiam caminhar nas ruas sem medo algum. Também não existia poluição, aquecimento global, efeito estufa... nada disso! O ar era puro, os animais não estavam em extinção, o homem não mais maltratava a natureza. As crianças podiam brincar nas pracinhas, sem que os pais precisassem se preocupar com atropelamentos e acidentes. Nas escolas os alunos se davam bem, viviam em harmonia com os colegas, professores e os demais profissionais. Isso tudo sem falar nas pessoas que, ao passarem umas pelas outras, sorriam e se comprimentavam.
Em cada lugar onde passava, percebia diferenças. Era como se fosse um novo mundo, um mundo bem melhor. E o mais interessante era que as pessoas pareciam não notar a diferença. Um mundo perfeito, onde não havia morte, fome, dor, nem sofrimento. As pessoas estavam todas felizes, alegres e sorridentes. Parecia que todos tinham percebido que o planeta acabaria em breve e que nós estávamos antecipando cada vez mais esse fim. Todos tiveram um surto de realidade e ouviram o pedido de socorro da natureza. Era lindo!
Os pássaros voavam e cantavam uma linda melodia que misturada com o assoviar dos ventos, o murmurar das águas e os sons produzidos pelos outros animais, faziam a trilha sonora daquele planeta maravilhoso. O homem retirava da natureza somente o necessário para sua sobrevivência, sempre preocupado em repor tudo o que era retirado. A água do planeta era bem aproveitada. Não havia desperdícios e os rios eram tão limpos que dava até para ver os grandes cardumes, repletos de peixes coloridos nadando. Era muito bom presenciar aquilo. Dava uma sensação maravilhosa, uma estranha paz interior.
De repente, algo começou a acontecer. De uma hora para outra as coisas começaram a ficar estranhas. Parecia que tudo estava voltando ao normal, como era antes. O mundo de guerra e violência voltou a existir. Percebi, então, que estava acordando. Me decepcionei ao saber que tudo aquilo não passava de um sonho, um sonho que parecia muito real, mas era só um sonho.
Bom seria se esse sonho fosse real, pois essa é a nossa realidade: destruição, desmatamento, fome, miséria... são inúmeros os problemas existentes. Quem são os culpados? Somos nós! Nós mesmos. Estamos levando o nosso planeta ao fim. O que devemos fazer? Talvez nos sensibilizarmos e colaborarmos para a transformação do nosso planeta em um lugar melhor para todos. E como faremos isso? Talvez se cada um de nós decidir a melhor maneira de ajudar. Agora pare, pense, reflita:
_ O que você pode fazer para mudar essa situação?
Autora: Letícia Vitória Sousa Pinto,14 anos / 9º B vespertino
Orientadora: Prof.ª Vanicleide Soares Gomes
O PODER DA LEITURA
Eu me sentia estranho, como se não fosse eu que vivesse no meu corpo. Quando olhei para os lados, não vi mais o que tinha visto antes. Era como se eu habitasse dentro de um livro! Ao meu lado tinha um espelho, quando contemplei percebi um reflexo realmente estranho: eu vestido de super-heroi. Então me dei conta de que estava dentro de uma revista em quadrinhos e tudo que aquela revista falava acontecia comigo. Para mim a ficha ainda não tinha caído mas, comecei a salvar pessoas de monstros devoradores e de outros seres malvados. Me chamavam de super-heroi e eu tinha até super poderes como: voar pelos céus, visão raio laser... Eu me sentia muito diferente porque antes eu gostava muito de ler revistas em quadrinhos, mas nunca me imaginei em uma vivendo loucas aventuras, voando pelos céus e salvando a humanidade de terríveis monstros. Eu acreditava mesmo que não era um sonho e comecei a gostar de ser invencível, embora não quisesse essa condição para sempre mas, somente em algumas ocasiões importantes.
De repente...
Me deu muita saudade da minha casa, do meu quarto, de ler revistas em quadrinhos mas... não de estar nelas. Eu gostei no início mas eu queria mesmo voltar para minha vidinha normal.
Então, abriu-se uma porta e por ela vi meu quarto e corri para entrar no meu mundinho tranquilo. E entrei. Já no meu quarto, vi tudo igualzinho, como antes. E vi em cima da minha cama um bilhete. Nele estava escrito:
“ Nunca deixe de ler pois, através da leitura, você viaja pelo mundo todo sem sair do lugar”
Aquela frase ficaria marcada na minha memória para sempre e a partir de então, comecei a ler mais livros e me desenvolver melhor na escola. Nunca mais eu irei deixar de ler, porque a leitura nos leva a todos os lugares que quisermos, só basta acreditar que é possível assim, todos os seus sonhos vão se realizar.
Autora: Camila Thais de Oliveira Sidor, 13 anos / 8º C
Orientadora: Prof.ª Vanicleide Soares Gomes
MEU MUNDO
Tudo havia mudado, o mundo estava cheio de vilões e super-herois. Parecia que estava acontecendo uma conferência de seres de revistas em quadrinhos no mundo real. Estavam todos no meu mundo: os vilões conversando com os super-herois.
Quando dei por mim, já havia me enturmado com todos aqueles seres que pensei que fossem imaginários mas que, agora estava consciente, tinham saído do meu imaginário e ganhado vida e estavam no meu mundo que, de imaginário não tinha nada.
Então,conversei com a Mulher Maravilha e descobri que também eu tinha poderes, que era como todos eles. No começo, fiquei muito feliz, mas depois descobri que o meu poder era mais forte do que eu e que teria que aprender a controlá-los. Descobri também que meu nome heróico era Mulher Biônica, me empolguei tanto que acabei fazendo estragos e deixando de pernas para o ar todos aqueles seres.
Entretanto, quando estava eu aprendendo controlar os meus poderes, senti alguém me chocoalhando e quando me levantei e sai para ver se tudo era real, tive uma amarga decepção, pois tudo era um mero sonho.
Autora: Maria de Fátima de Oliveira Torres, 17 anos / 3ª B
Orientadora: Prof.ª Vanicleide Soares Gomes
O GRANDE MISTÉRIO DE BRUNO CORIOLANO
Uma coisa muito estranha havia acontecido. O mundo havia mudado, não havia mais pessoas e nem plantas ou animais. Só havia coisas materiais, prédios, armas e mais.
Então saí andando pela cidade para ver se descobria o que tinha acontecido. Encontrei alguns restos de roupas, restos de panos e continuei a andar. Avistei várias outras coisas espalhadas pelo chão mas, continuei andando. Depois de alguns minutos achei uma coisa esplêndida: vários sacos e embalagens de presentes. Vi uma mesa e senti um cheirinho agradável de comida . Como estava curioso para descobrir o que era fui experimentar.
Chegando lá perto, senti um cheirinho bom.
_ Cheiro de bolo! Falei pra mim mesmo e fui.
Chegando lá perto e imaginando que aquela comida poderia está infectada ou alguma coisa assim, peguei um pouco, experimentei e vi que era só um pedaço de bolo. Achei estranho, pois o bolo estava quentinho. Eu ainda não tinha resolvido o mistério mas, já tinha uma pista.
E, ao continuar andando, comecei a interpretar a situação e pensei;
_ Por que aquele pedaço de bolo estava ali, arrumadinho, em cima de uma mesa?
E, continuei a andar.
No meio do caminho voltei a encontrar coisas estranhas. Já havia se passado horas e eu ainda não compreendia nada. Já estava me cansando porém, com bastante vontade de resolver o mistério.
Resolvi voltar para casa pelo mesmo caminho e encontrei outras pistas interessantes. Depois, quando já estava perto de casa, avistei uma coisa estranha em uma janela. Fui chegando perto e vi que era um balão. Ele estava preso na janela de uma casa. Quando peguei, vi que estava bem cheio . Continuei andando em direção a minha casa, já cansado daquele silêncio. Quando cheguei em casa vi que tinha algo errado e pensei:
_ Quando eu tinha saído de casa havia deixado tudo bagunçado e agora está tudo arrumado...
Percebi que as luzes estavam todas apagadas. Eu não via nada, somente três pontinhos que pareciam três velinhas. E, quando fui entrando todas as luzes se acenderam e, as pessoas que pensava terem desaparecido estavam lá, na minha casa, gritando:
_ Parabéns!!!
E, começaram a cantar Parabéns a você...
Eu fiquei surpreso e sem entender nada. Então, minha vizinha veio me explicar:
_ Nós estamos fazendo a sua festa de aniversário. Parabéns! Sabíamos que você era curioso e iria sair para procurar. Por isso que chamei todos para preparar essa festa surpresa para você.
E perguntei:
_ Por que aqueles pedaços de bolos espalhados, balões pelas janelas, caixas de presentes e outras coisas?
_ Eram apenas pistas , para você ficar mais tempo fora tentando descobrir o mistério e da tempo fazer tudo. E, agora vamos deixar de papo e abrir os presentes e depois curtir a festa. Falou a minha vizinha.
E, fomos abrir os presentes. Ao abrir a porta do quarto eu parei e olhei para um único lugar, sem piscar os olhos.
Sabem o que aconteceu?
Uma coisa esplêndida, espetacular: um presente enorme!
Seria só o pacote que era grande ou o presente era grande também? Não demorei muito para abrir, tamanha era a minha curiosidade. E, quando abri aquele grande e esplêndido presente, vi uma coisa inesperada: era uma maquete gigante da cidade. Mostrava todos os lugares que eu andei hoje, e todas as coisas que eu vi.
Esplêndido!
Eu amei, pois vou me lembrar de cada lugar e também desse grande mistério.
E eu fui abrindo os presentes. Um a um e amei todos. Falei com os meus amigos e eles me parabenizaram. Agradeci a todos por terem feito aquela festa linda.
...
E assim, o menino Bruno Coriolano foi crescendo e ele ia contando para todos a sua melhor festa de aniversário. Também começou a deixar de ser tão curioso e esperar a hora certa pra saber das coisas. E todos que participaram dessa história contaram as suas famílias e, tudo isso foi passando de geração em geração.
E, agora, Bruno Coriolano vai escrever um livro contando toda a história da sua grande festa de aniversário surpresa. E o título é: ‘O estranho caso da jovem de Apophistyphon e outras estórias’. Ele já está quase terminando e já vai entrar em venda no Brasil inteiro. Ele vai ser um dos livros de contos mais vendidos no Brasil. Compre e se surpreenda com o ‘O estranho caso da jovem de Apophistyphon e outras estórias’.
Autora: Daniela Ferreira Gama, 13 anos / 6º B vespertino
Orientadora: Prof.ª Vanicleide Soares Gomes
SONHOS E VONTADES
As pessoas pareciam mais simples, sensíveis, talvez. E a bondade era vista a olho nu em cada semblante. Até o mundo, o céu, a vida, pareciam mais iluminados, como se não houvesse escuridão. E todos os dias, os seres não se cansavam de agradecer ao Grande-Poderoso Deus por lhes conceder momentos tão maravilhosos como aqueles. No entanto, tudo era novo para mim, que voltei para minha casa novamente e resolvi deitar-me. Queria pensar um pouco em tudo aquilo que vivi durante uns 10 ou mais minutos da minha vida. Percebendo assim, que mais uma vez eu tive um sonho e, diferentemente dos demais, esse foi mais nítido, curto, muito curto. Porém, inesquecível.
Então, a partir disso, me vieram várias conclusões à cabeça. A maior delas sem dúvidas é que, nossos sonhos são do tamanho das nossas vontades e, além de tudo, existe alguém tão grandioso olhando para nós lá de cima e que é o autor dos nossos tão constantes sonhos. A vontade, que eu tinha / tenho de que o mundo se tornasse melhor foi tão extensa que devo ter sonhado. E como eu já tinha dito: ‘Era como um sonho real, ou melhor, era como está vivendo momentos de um sonho real’. E antes de partir, tive a oportunidade de ver o mundo da forma que queria.
Sânya Rubênia Ferreira Araújo, 17 anos / 3ª A vespertino
Orientadora: Prof.ª Maria José dos Santos
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A Bruno, o agradecimento sincero por contribuir com as nossas atividades educativas e também pelas palavras de incentivo aos alunos, pelos emails respondidos prontamente... temos muito o que agradecer.
A você, o reconhecimento pelo trabalho realizado e nosso respeito pela forma como honra a missão de educar e partilhar conhecimentos.