APRESENTAÇÃO
‘HISTÓRIAS CONTADAS’ é o resultado das experiências de leitura e escrita proporcionadas pela Profª MARIA FRANCISCA, com o duplo propósito de desenvolver nos alunos a competência elencada pelo educador colombiano Bernardo Toro no CÓDIGO DA MODERNIDADE: ‘Dominar a leitura, a escrita e as diversas linguagens utilizadas pelo homem’ e, sobretudo, conduzir os discentes a descobrirem o prazer de ler e criar seus próprios textos.
Para elaboração desta pequena coletânea de textos, os alunos tiveram a oportunidade de ler em sala de aula, compartilhar e confrontar suas interpretações ampliando assim seu repertório e aguçando a criatividade para elaborarem a primeira edição deste livro.
Para nós, que fazemos a Escola Estadual Professor Gerson Lopes, publicar ‘HISTÓRIAS CONTADAS’ é a confirmação de que o nosso trabalho tem gerado frutos e contribuído para formar leitores capazes de expressarem suas idéias e opiniões.
MELISSA
Era uma vez...
Na África vivia uma garotinha, a família dela era muito pobre. Ela se chamava Melissa.
Apesar das dificuldades, ela sempre tinha esperança de um dia ter condições para ajudar sua família. Melissa vivia em uma casinha pequena, junto com sua mãe, seu pai e seus sete irmãos. Seus pais trabalhavam como agricultores em uma fazenda e eram muito humilhados por seu patrão. Melissa tinha que ficar em casa cuidando dos irmãos. Os pais dela ganhavam apenas dez reais por dia e muitas vezes esse dinheiro não dava nem para o almoço.
Melissa sempre sonhava com um futuro melhor para ela e sua família. Um dia ela estava indo comprar comida para seus irmãos e encontrou uma sacola, então, Melissa levou-a para casa e quando abriu encontrou muitos livros. Melissa começou a ler os livros, todos os dias ela lia um e assim foi aprendendo tudo o que precisava.
A menina pediu aos pais para eles matricularem ela numa escola. Eles não tinham condições mas, não tiraram esse direito da filha. Melissa começou a estudar e depois de alguns anos ela concluiu o Ensino Médio e logo arranjou um emprego muito bom e com seu primeiro salário comprou muitas coisas para sua família. Entrou na faculdade e se formou em medicina. Continuou ajudando a família e hoje eles vivem muito bem e Melissa tornou-se um exemplo para seus irmãos.
Maria Vitória da Silva oliveira
MARIA E JULIETE
Certo dia uma linda jovem chamada Maria ia andando na floresta e encontrou-se com a sua amiga Juiete e começaram a conversar. Maria, vendo que Juliete Era muito lenta e preguiçosa , chamou-a para uma corrida, rindo para si mesma pois pensava que Juliete ia dizer não. Porém, Juliete topou.
Maria disse:
_Quem chegar primeiro vai ganhar dez moedas!
Juliete surpreendeu-se:
_O que? Dez moedas? Então podemos começar agora mesmo!
Era 10 km a distância a ser percorrida. Juliete começou a andar, muito lenta. Maria achando que ia ganhar, pois era mais veloz, vinha logo atrás. Juliete, por sua vez, não olhava sequer para os lados. Seguia em passos firmes pela estrada. No caminho, Maria se sentou e dormiu um pouco, achando que jamais ia perder. Enquanto Maria descansava, Juliete passava com a maior facilidade. Quando Maria finalmente acordou do seu descanso percebeu que tinha dormindo bem mais que devia. Às pressas, continuou seu percurso, foi quando avistou Juliete perto da placa de chegada, muito cansada mas, muito alegre pois ia vencer a corrida.
Maria ficou muito triste por perder no entanto, chamou a sua amiga e disse:
_Devagar se vai longe! Parabéns!
Maria Lanécia Mota Morais
O SONHO
Certa vez estava passeando com algumas amigas pelo parque. Estávamos todas felizes quando, de repente, por um descuido, eu me perdi. Fiquei desesperada e comecei a chorar. Aos poucos, tudo foi ficando escuro e, como já estava desesperada,, gritei pelos meus amigos mas ninguém respondeu. Comecei a andar e não encontrei ninguém. Quando já estava com muita sede encontrei um rio e bebi um pouco de água. Continuei andando e encontrei um pescador. Perguntei pra ele como conseguiria sair dali, mas ele me falou que uma vez chegando ali nunca mais se conseguia sair. Chorei novamente e foi ai que eu acordei e percebi que tudo isso não passava de um sonho ruim, ou melhor, um pesadelo.
Letícia Vitória Sousa Pinto
O AMO
Era uma vez uma menina que gostava muito de um menino chamado Nito. Ela gostava demais dele. Certo dia a menina contou a ele que ela gostava dele e ele disse que não dava certo porque ele já gostava de uma menina chamada Karol.
Karol também gostava de Nito mas, ele nunca tivera coragem de ir atrás dela.
A menina que gostava dele mais do que Karol, resolveu deixar aquele amor de lado porque havia vários garotos querendo ficar com ela. E, a menina que não sabemos seu nome, deixa um recado para todos os jovens desse mundo:
‘Valorize quem te ama porque a gente só valoriza uma pessoa quando perde o seu amor’
Francisca Lucykeila de Oliveira Costa
A FORMIGA
Era uma vez uma formiga muito bonita. Ela era muito humilhada porque seus pais eram muito pobres. Um dia essa formiga achou o caminho da luz. O caminho de Deus pois assim ela podia ser muito feliz.
Ela contou a seus pais e eles acreditaram e todas as outras formigas diziam que isso era bobagem. Então Deus mandou muita comida para a formiga e seus pais. Eles agradeceram e Deus ficou satisfeito.
Anos depois os pais da formiga faleceram e ela se achou grande como uma formiga fiel a Deus e viveu para o amor, agradecendo a Deus por tudo o que Ele lhe fizera.
Sadrak Pinheiro Sisenando
UM CONTO
Era uma vez uma menina que amava seus pais. Ela ficava muito triste por ver seu pai espancando sua mãe. Então, sem saber o que fazer, ela chorava.
E ela foi crescendo, vendo o sofrimento da sua mãe de perto. E criou uma raiva dentro dela que a fez fugir de casa, pensando em acabar com a própria vida.
Ela ficou nas ruas e encontrou amigos que eram de um grupo chamado demos e ela entrou para o grupo. Para fazer parte do grupo, era necessário fazer sacrifícios, tipo tirar um pedaço da pele, dormir amarrado em um cemitério, beber sangue de morcego com cabelos de defunto e entregar a alma para o demo.
A jovem fez tudo. Mas, viveu atormentada pelo demo. Falava que não tinha mais o que perder na vida.
Hoje, ela se livrou da vida de demos e vive ao lado do Deus pai. Hoje, tem paz e amor na vida e seus pais também ficaram sem brigar. O seu pai já não bate na sua mãe. Ele se arrependeu de tudo o que tinha feito de errado na vida.
Hoje eles vivem felizes. Têm vários sonhos bons que já foram realizados e o melhor de todos eles é se reconhecerem como família e se lembrarem de Deus.Joicy Raveny Gomes Fernandes
A MENINA
Era uma vez uma menina. Ela vivia sozinha, quase não tinha alegria. Sua mãe tinha morrido e vivia só com sua avó. Ela andou a cidade toda: ia aos bares, festas, mas sempre havia aquele vazio. Suas amigas não podiam preencher, nem sua avó. Ela tentou mudar de cidade e nada adiantou.
Um dia ela encontrou uma galera diferente que deu a mão a ela e no meio dessa gente ela encontrou uma pessoa que lhe dava amor, carinho, atenção. Seu nome era: Jesus. Ela começou a trabalhar na obra Dele. Ia para todos os cultos, dirigia os círculos de oração e escolas dominicais muitas pessoas aceitaram a Ele através dela. Ela se casou e teve filhos e com pouco tempo ela morreu e suas últimas palavras foram: ‘A morte não vai ser o problema, mas sim a solução. Com Jesus encontrei a verdadeira felicidade e agora vou ficar muito mais feliz pois vou morar com Ele. Obrigada Deus por minha vida!’Maelle Cristina Maia Marinho
CONTO
Era uma vez dois jovens que se chamavam Ana Paula e Matheus eles eram apaixonados mas como todo romance tem que ter alguém que seja contra, os pais dela o odiava muito pois ele era pobre e negro. Daí o tempo foi passando. Ela sofria muito pois amava Matheus mas esse amor era proibido.
Ela sempre se encontrava com ele às escondidas. A sua mãe Geovânia descobriu que tinha uma forte doença que aos poucos ia crescendo mais e mais. Certo dia ela estava esperando o almoço quando sentiu uma tontura e desmaiou. Levaram-na para o hospital e ela ficou internada com um grave problema: precisava de um órgão, o olho esquerdo. Então Matheus foi o único que teve coragem de doar seu órgão. Ela fez a cirurgia e deu tudo certo. Então voltou para casa, com saúde. Agradeceu a Matheus e deixou ele se casar com a sua filha. Matheus e Ana Paula se casaram, tiveram dois filhos gêmeos, Abideu e Gabriel e viveram muito felizes.
Ângela Raquel da Silva Alves
DIA INESQUECÍVEL
Certo dia, eu e minha prima, estávamos brincando em cima de um pé de cajarana, lá na casa da minha vó. Foi quando meu primo viu a gente brincando e subiu para brincar com a gente e ele escorregou o pé e caiu. Eu e minha prima ficamos muito nervosas, descemos pois o meu primo estava chorando e gritava que o seu braço doendo. O meu tio chegou e levou o menino para o hospital. Todos estavam preocupados pois pensavam que ele tinha quebrado o braço. Foi ai que o médico falou que ele não tinha quebrado o braço, apenas tinha tirado o braço do lugar.
Thayanne Santos da Costa
AMOR DEMAIS
Era uma vez um casal que se amava muito. Mas era um amor impossível porque a mãe dela não deixava ela namorar. Certo dia, ela saiu escondida da mãe para namorar com o menino que ela gostava. Com pouco tempo, a mãe dela apareceu e chamou-a para ir para casa. O menino saiu correndo para a mãe dela não desconfiar de nada.
Após muito tempo - a mãe da garota, sempre tentando não deixar ela namorar com ninguém - o jovem deciciu pedir a mãe dela para ela namorar com ele mas a mãe dela não deixou. Ele não desistiu e continuaram namorando às escondidas. O amor deles era muito grande.
A mãe dela disse que ia mandá-la para a casa da irmã dela, em Natal. Ela disse que não ia mas não teve escolha. O rapaz parou de estudar para trabalhar e foi morar em Natal.
Quando a mãe dela descobriu que ele estava em Natal, ligou para a irmã e perguntou como ele estava e ela respondeu que ele estava pedindo esmola para sobreviver e morando nas ruas. Então a mãe quis trazer a filha de volta pra casa e ela disse que só voltaria se ele viesse também. A mãe consentiu e quando eles chegaram a mãe deixou eles namorarem. E eles foram felizes para sempre.
Francisco Erivanildo dos Santos Silva
O AMOR VENCE O ÓDIO
Era uma vez dois jovens que se amavam e pensavam que era ódio. Todos os dias eles brigavam e todos diziam que isso era amor e logo eles começaram a brigar novamente. Eles sentiam ódio mas um ódio que virou amor. Estava na cara deles dois que eles se amavam mas não queriam admitir.
Ela foi recebendo conselhos de suas amigas e foi se apaixonando sem ligar para as brigas e chateações dele. E ele percebeu que ela não dava mais atenção as coisas que ele falava.
O tempo foi passando e eles se apaixonaram cada vez mais e, enfim, ele criou coragem e pediu ela em namoro. Ela aceitou. Passaram sete anos namorando.
Ele pediu ela em casamento. Quando casaram tiveram um filho e foram felizes para sempre.
Maruiles Costa Matias Júnior
BRIGAS E CONFRONTOS EM UMA FAMÍLIA
Era uma vez uma família que morava em um humilde bairro.
Um dia o homem saiu para da uma volta no bairro e quando chegou em casa se deparou com sua mulher que estava enforcando sua filha a mulher muito esperta tampou a boca da menina com a mão para ela não gritar. O homem com muita raiva puxou uma faca para sua mulher. Ela pediu para ela tacar a faca nela e ele sabia que iria se da mal pensou duas vezes e guardou a faca. Ela muito atrevida pulou em cima dele e azunhou ele com as unhas. Depois dessa briga toda eles começaram a discutir e no outro dia de manhã bem cedo ele foi embora e levou a menina.
Maria Elineide dos Santos Silva
NA SALA DE AULA
A história que vou contar aconteceu no colégio onde estudo, a Escola Gerson Lopes. Aproximadamente às 15:30, no dia 27/10/2009. Na sala de aula, eu, Priscila, joicy, Ranyelle, Virna, Elielma, Maelle e Álisson, todos colegas de sala. Nós estávamos falando de pessoas que não acreditam em Deus. Uma amiga nossa, Joicy, começou a fazer uma brincadeira dentro da sala. Fechou as janelas e apagou as luzes, após, pegou uma folha de papel e escreveu ABCD rezando. Alguns colegas sentaram no chão, em círculo. Eu e o resto dos meus amigos ficamos no meio da porta. Álisson era o que estava mais perto de mim essa hora. Joicy começou a chamar nós para a roda. Álisson o primeiro a ir. Eu falei: eu vou e dei um passo a frente. Chamei Ranyelle mas ela teve medo. Quando ela termina de falar, volto para trás e olho para Álisson e vejo ele todo se tremendo. Quando eu percebi isso gritei, me arrepiei e peguei no braço de Ranyelli. Todos nós corremos para fora da sala. Eu comecei a passar mal, chorando sem saber o que fazer e dizer. Virna perguntava o que eu tinha. Ranyelle pegou em mim e começou a chorar do nada. Virna também. Álisson e Joicy continuaram na sala. Letícia, uma amiga nossa, chega e fica olhando da porta da sala para os dois e Joicy falando disse três vezes: Letícia feche a porta! Ele ta ai! Você não acredita, pois olhe! Ele está na porta! Letícia não acreditava nessas coisas, fechou a porta , saiu e falou com nós. Depois saíram como se nada tivesse acontecido. Todos nós saímos do colégio e ficamos numa esquina, conversando sobre o que tinha acontecido. Eu via coisas. Joicy morta de medo, estava tonta, passando mal, sentia catinga de defunto, chorava. Ranyelle e Virna também choravam... Álisson falava que sentia a presença do diabo, pois antes de tudo isso acontecer, ele e mais seis amigos foram para um sítio invocar quatro demônios... falou que via coisas e tudo mais.
Depois todo mundo se acalmou. Mas joyci disse muitas coisas sobre o que tinha acontecido. Fomos para as nossas casas. No outro dia o mesmo assunto. Agora já passou. Aconteceu comigo! Priscila Maia Fernandes
A BELEZA NÃO IMPORTA PARA O AMOR
Era uma vez uma linda princesa encantada, que morava no alto de uma torre, a espera de seu príncipe para salva-la.
Existia um príncipe lindo, que queria se casar com esta princesa mas, ele não tinha coragem de ir salvar a princesa no auto da torre.
Havia perto dali um homem muito feio , corajoso e bondoso. O príncipe pediu a este homem que fosse salvar a princesa. Assim, o homem foi salvar. Chegando no alto da torre, ele encontrou a princesa e logo se apaixonou e a princesa correspondeu. Então, ele tirou a
princesa do alto da torre e foi ao encontro do príncipe. Chegando lá, o príncipe pediu a princesa em casamento mas a princesa disse que não aceitava pois ia casar com aquele homem bondoso e corajoso. Então eles viveram felizes para sempre.
Antonia Elizângela Bezerra
O MENINO
Era uma vez um menino muito pobre. Ele pedia esmola nas ruas. Um dia ele foi pedir esmola a uma mulher que estava sentada na calçada da casa dela e ele falou:
_ Me dá um pouco de comida...
_ Ela se levantou da calçada e deu um pão e ele falou:
_Obrigado.
Ela respondeu:
_ De nada, meu filho!
Com o passar do tempo uma família adotou ele e mandou o menino estudar. Então ele cresceu, estudioso e dedicado, passou no vestibular para medicina e, um dia ele foi trabalhar no hospital particular e chegou uma mulher muito doente. Ele viu o rosto da mulher e se lembrou que foi ela a pessoa bondosa que deu pão quando ele estava faminto. Então ele fez a cirurgia. Após, ao visita-la , ela perguntou:
_ Quanto foi a cirurgia meu filho?
E ele respondeu:
_ Nada, muito obrigado pelo pão que um dia me destes!
Ela olhou para ele e disse:
_ Muito obrigada!
Este conto é muito triste e podemos aprender:
‘Quem ajuda ao próximo esse próximo pode te ajudar’
Francisco David Fernandes Oliveira
APRESENTAÇÃO
Contar *ESTÓRIAS DE TRANCOSO era um antigo costume existente em Apodi. Geralmente, eram as pessoas idosas que, ao anoitecer, reuniam em torno de si crianças sedentas de ouvir estórias e viajar nos caminhos férteis da imaginação, numa época em que as mídias de entretenimento ainda não tinham adentrado as nossas casas.
Pretendendo reaver esse costume, a Prof.ª MARIA FRANCISCA orientou os alunos do 9º B, a buscarem, dentre pessoas da comunidade, a quem agradecemos por tão valiosa contribuição, aquelas que pudessem lhes contar uma estória de Trancoso para que eles, os discentes, escrevessem o texto conforme narrado pelo contador de estórias. Dessa forma, o livro foi escrito e as estórias recontadas em sala de aula.
Nos resta afirmar, que é sempre uma satisfação levar a público um trabalho construído por nossos alunos, tirar do prelo e ver impresso, em sua primeira edição, as divertidas ESTÓRIAS DE TRANCOSO.
O JARDINEIRO
Era uma vez uma família muito unida. Era o pai que se chamava Joaquim, a mãe que se chamava Genoveva e a filha que se chamava Cris.
Certo dia a mãe de Cris adoeceu. Seu Joaquim muito preocupado, foi chamar o médico da família, mas nada adiantou, D.Genoveva faleceu.
Seu Joaquim, fazendeiro muito rico, não passou dois meses viúvo e arranjou logo uma noiva. Todos os dias a noiva de Seu Joaquim que se chamava Tereza, ia banhar Cris. Banhava, penteava seus cabelos, trocava suas roupas e brincava com ela. Tudo isso acontecia quando Seu Joaquim estava em casa. Quando ele não estava, ela ajudava com Cris. Aproximou-se o dia do casamento, Cris ficou muito triste e o pai dela perguntou por quê ela estava tão triste e ela respondeu que estava tudo bem.
Passaram dois anos, mas a menina continuava triste. O pai viajava muito e ela se sentia muito só. A madrasta judiava cada vez mais com ela.
Um dia Cris arrumou a casinha de brinquedos e começou a brincar. A madrasta notou que ela estava feliz e chamou-a para olhar os figos das figueiras que estavam na bacia para secar e disse que se ela deixasse os pássaros picarem, enterrava-a viva. Até que a menina ficou olhando muito e nada de pássaros. Voltou para seus brinquedos e continuou a brincar. Ao chegar, a madrasta viu que não tinha mais nenhum dos figos na bacia e pegou a menina pelos cabelos e judiou muito. Até que Cris desmaiou e a madrasta enterrou-a. Amanhecendo o dia, Cris ainda enterrada, um jardineiro que estava ali com uma enxada, tirava todo aquele mato, quando de repente, escuta uma voz doce de uma menina cantando:
‘Jardineiro do meu pai
Não me corte os cabelos
Minha mãe me penteou
A madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira
Que o passarinho picou’
O jardineiro chama um vizinho ali perto e diz a ele o que escutou. O vizinho não acredita mas, com pouco tempo, a menina volta a cantar:
‘Jardineiro do meu pai
Não me corte os cabelos
Minha mãe me penteou
A madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira
Que o passarinho picou’
O jardineiro pega a sua enxada e começa a cavar. A cada cavada que ele dava arrancava os cabelos da menina. Ao tirar viu que era Cris, a filha de Seu Joaquim, o fazendeiro. Ligeiramente, o jardineiro chama seu pai e ele a leva para o hospital. Chegando em casa, a madrasta tinha saído e o pai pergunta a sua filha:
_O que aconteceu filha?
_ Não pai, tenho medo de te dizer...
_ Filha, pode me contar, preciso saber o que houve.
Cris explica tudo que vinha acontecendo há muito tempo, até que seu pai falou:
_ Filha não se preocupe, não saia deste quarto agora, pois quando você sair daqui não vai mais encontrar aquela bruxa da Tereza aqui.
De repente, seu pai Joaquim sai de casa e encontra com a madrasta. Ele pega dois cavalos, amarra o rabo de um cavalo em uma das pernas de Tereza e no rabo do outro cavalo, amarrou na outra perna de Tereza. Ele bota um cavalo pra um lado e um cavalo para o outro Quando os cavalos avançam em direções opostas a madrasta não resiste e morre.
Estória contada por: Maria das Graças
Escrita por: Ana Beatriz Mota Morais
O TESOURO ENTERRADO
Era uma vez, no reino das borboletas, um rei chamado Crioulo. Ele tinha um filho chamado Sabá que estava procurando uma rainha para se casar. Por ali havia uma princesa muito rica e egoísta que não gostava de dividir sua fortuna.
Os pais dos dois marcaram a casamento com o Senhor Coelho. O dia esperado chegou. Fizeram uma linda festa de casamento e com o tempo tiveram um filho de duas cabeças e três dentes em cada boca. Uma cabeça falou:
_ Não tenha medo, só vou lhe dizer
Outro filho vocês não vão ter!
A outra cabeça também falou:
_ Peguem sua fortuna e dêem aos pobres ou o pior vai acontecer!
E em seguida morreu.
O rei morreu do susto que teve e a rainha com tanta ganância não quis dar a sua fortuna a ninguém, foi enterrar a sua fortuna. No outro dia a rainha morreu e como castigo de não ter ouvido o seu filho o seu espírito ficou vagando por ai e só terá descanso no dia que alguém desenterrar o seu tesouro.
Estória escrita por: Tárcia Tamária da Costa Silva
DONA CAROCHINHA
Era uma vez uma moça velha que se chamava Dona Carochinha. Ela era uma costureira muito trabalhadeira e andava a procura de algum moço para se casar. Até que um dia ela saiu de sua casa a procurar e cantava assim:
_Quem quer casar com Dona Carochinha que tem dinheiro na Caixinha?
Um bode que ali estava fala:
_ Eu quero!
_ Como é sua fala?
E o bode :
_ Me, me, me, me!
_Quero não! Berrando assim acorda até meu vizinho!
E continuou procurando:
_Quem quer casar com Dona Carochinha que tem dinheiro na Caixinha?
Até que apareceu um gato e falou:
_ Eu quero!
_ Como é sua fala?
E o gato:
_ Miau, miau, miau, miau!
_Quero não! Miando assim acorda até meu vizinho!
Na sua busca por um marido ela passa por muitos bichos: o coelho, o cachorro, o boi... até que encontra o rato e pergunta:
_ Como é sua fala?
E o rato:
_ Chi, chi, chi, chi!
Dona Carochinha resolve querer o rato e casa com ele, sem ninguém saber, pois não queria que ninguém soubesse que era casada com um rato.
Certo dia, ela deixa Dom Ratinho em casa, cuidando do almoço. Uma panela quente estava no fogão cozinhando feijão com saborosos pedaços de queijo e Dom Ratinho, sem resistir ao cheiro do queijo, tentou pegar um pedaço, coitado, caiu dentro da panela!
Ao chegar, Dona Carochinha encontra Dom Ratinho dentro da panela quente e fica apavorada. Pega pelo rabo do ratinho, puxa e vê que está morto! Então começa a chorar.
A porta olha pra ela e pergunta:
_ Por que está chorando Dona Carochinha?
_ Por que não hei de chorar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora.
A porta diz:
_ Então eu vou abrir e fechar.
O banco pergunta a porta:
_ Por que você está só abrindo e fechando?
A porta responde:
_ Por que não hei de chorar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha.
O banco fala:
_ Então eu vou pular!
O pé de laranjeira olha pro banco e pergunta:
_ Por que você está pulando?
_ Por que não hei de pular? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula.
O pé de laranjeira responde:
_ Então eu vou cair as folhas!
O canário que passava por ali, viu o estado da laranjeira e perguntou:
_ Por que ontem você estava tão verdinha e hoje não está mais e ainda deixou cair todas as folhas?
_Por que não hei de deixar cair as minhas folhas? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas.
O canário fala:
_ Então eu vou cair o rabo!
O canário foi beber água na lagoa e a lagoa pergunta:
_ Cadê seu rabo? Deixou cair por que?
_ Por que não hei de deixar meu rabo cair? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o rabo.
A lagoa então diz:
_ Então eu vou secar!
Uma negra sai de sua casa com um pote na cabeça para pegar água na lagoa. Quando vê que está seca pergunta:
_ Lagoa, por que deixou a água secar?
_ Por que não hei de secar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o rabo. A lagoa seca.
A negra fala:
_ Então eu vou quebrar o pote!
Quando a negra chega em casa seu marido pergunta:
_ Cadê o pote com a água que você foi pegar?
_ Eu quebrei.
_ Por que você quebrou?
_Ora! Por que não hei de quebrar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o rabo! A lagoa seca. A negra quebra o pote.
_ Então negra, você uma surra agora! Negra safada!Estória contada por: Francisca Antonia
Estória escrita por: Érika Moraes Pereira
AQUILLES
Um dia o rei de um castelo muito grande e belo disse a Camonge:
_ Camonge! O que é o melhor da galinha?
E Camonge disse:
_ O ovo.
Um ano depois Camonge e o rei foram caçar e Camonge saiu na frente. O rei perguntou:
_ Camonge! Com que?
_ Com sal!
Um Dia o rei disse a Camonge:
_ Você me dá notícia do meu cavalo?
E Camonge não respondeu. Todas as vezes que o rei via Camonge ele perguntava sobre o cavalo. Um dia Camonge descobriu que o rei tomava banho no rio toda manhã. Quando o rei entrou dentro do rio e depois a rainha pulou pelada, com as pernas abertas, o rei disse:
_ Vi o mundo todo!
E Camonge disse ao longe:
_ Não viu o cavalo por ai não?
Quando o rei percebeu que Camonge estava espiando os dois, foi embora com a rainha e nunca mais o rei voltou para o rio e o cavalo nunca mais apareceu.Estória contada por: Gerôncio
Estória escrita por: Ítalo Moisés Gomes dos Santos Silva
PROJETO DE LER NO REINADO
Era uma vez um rei que ofereceu um jantar de peixe ao povo. Quem jantasse virasse o peixe seria condenado a morte.
Certa vez, o conde chamou um caboclo velho para ir ao reinado mais ele. E o rei não disse a ele que não virasse o peixe. E chegaram mesmo na hora do jantar. Começaram a comer e o caboclo velho virou o peixe e o conde ficou preocupado. Todo mundo foi saindo e alguém falou que o caboclo velho tinha virado o peixe durante o jantar. Então levaram o caboclo velho para a prisão, com direito a fazer três pedidos. Só não podia pedir para não morrer.O conde voltou para casa triste.
O caboclo velho tinha um filho. O filho do caboclo disse para a sua mãe:
_ Mamãe eu vou morrer no lugar do meu pai!
E saiu para conversar com o rei.
_ Vossa Majestade eu vim aqui para morrer no lugar do meu pai. Sou um cabra moço, posso morrer no lugar dele.
O rei falou:
_ Você sabe o meu decreto. Eu vou liberar o seu pai e você faz três pedidos, só não pode pedir para não morrer.
O rei mandou soltar o caboclo velho e ele saiu muito triste pois seu filho ia morrer.
Chegou a pessoa do rei e disse para o filho do caboclo velho:
_ Sabe que vai morrer. Faça seu primeiro pedido. Só não pode pedir para não morrer!
_ Vou fazer um pedido. Diga lá ao seu rei para comprar uma casa bem bonita e um comércio maior da cidade.
No outro dia foi o segundo pedido. E o moço falou:
_ Eu não preciso de nada.
E o portador respondeu:
_ Diga logo seu pedido.
O moço falou:
_ Antes de morrer eu quero casar com a filha dele.
_ Pedido é pedido...
E assim o prisioneiro casou com a filha do rei.
No outro dia, veio o terceiro pedido.
_ Antes de morrer, quero ver quem viu o meu pai virando o peixe e quero que fure os dois olhos dessa pessoa.
E fizeram perguntas a um e outro. Porém, ninguém viu e o peixe não foi virado.
O filho do caboclo casou com a filha do rei e o caboclo ficou com seu comércio e sua casa grande e bonita.
Estória escrita por: Andrews Alves Ferreira
OS DOIS FAZENDEIROS
Era uma vez dois fazendeiros. Um rico e um pobre. As fazendas eram vizinhas. O pobre tinha um filho muito bonito e o rico tinha uma filha muito bonita. Ela se apaixonou pelo rapaz pobre, mas o pai dela não queria por ser o rapaz muito pobre.
O pai da moça mandou um dinheiro para o rapaz ir embora. A moça ficou muito triste.
Depois apareceu um rapaz rico ai, o pai dela disse que ela tinha que casar com o rapaz. Ela ia fazer o gosto do pai.
Organizaram uma festa muito bonita para o casamento. Só que antes todo mundo tinha que fazer um discurso. Na vez da noiva discursar, o rapaz pobre chegou em uma nave. Ela o reconheceu e ele disse:
_ Papai, o senhor tem uma mala que perde a chave e manda fazer uma nova. Na hora que a chave nova chega o senhor acha a chave velha. Com qual chave a senhor abre a mala?
Ele respondeu:
_ A velha.
A noiva disse:
_ Então meu noivo é esse! E apontou para o rapaz pobre.
Daí conheceu a festa foi tão bonita que o rapaz rico abraçou os dois. Ele entendeu tudo e ele disse para o rapaz rico que ele tinha lutado por ela e venceu todas as humilhações.
Depois da festa ele casou. Na mesma festa eles foram embora em uma nave que ele tinha chegado.
Eles foram para uma fazenda que ele tinha comprado e viveram felizes para sempre.
Estória escrita por: Viviane Sandy Holanda Campelo
AS MOEDAS
O homem entrou na igreja e encontrou nos pés do santo, várias moedas. Ele olhou para um lado e para o outro e não viu ninguém. Pegou as moedas, botou no bolso, olhou para o santo e disse:
_ É emprestado, depois eu pago!
Deixa que tinha um soldado olhando e ele não viu. Depois de um longo tempo, o soldado encontrou o homem na rua e disse:
_ Você já foi pagar o dinheiro do santo?
O homem assustado disse:
_ Não, mas vou agora pagar o dinheiro do santo.
E foi.
Quando chegou lá disse:
_ Ta aqui seu dinheiro! Era preciso dá parte?
‘Passa perna de pinto
Passa perna de pato
senhor rei mandou dizer
que contasse mais quatro’
Estória contada por: Prof. Antonio Coriolano ( Totonho)
Estória escrita por: Ítala Mayara Fernandes de Azevedo
O PALÁCIO
Uma vez existiu um velho casado, que tinha três filhas muito bonitas. O velho era muito pobre e vivia de fazer gamelas para vender. Certo dia chegou à sua porta um moço muito formoso, montado num belo cavalo e lhe falou para comprar um de suas filhas.
O velho ficou muito magoado, e disse que, por ser pobre não haveria de vender sua filha. O moço disse-lhe que se não vendesse, o mataria. O velho, intimidado, vendeu a moça e recebeu muito dinheiro. Retirando-se o cavaleiro, o pai de família não quis mais trabalhar nas gamelas, por julgar que não precisava mais trabalhar.
Mas a sua mulher instou com ele para que não largasse o seu trabalho de consumo, ele obedeceu.
Quando foi na tarde seguinte, apresentou-se outro moço ainda mais bonito, montado num cavalo ainda mais bem aparelhado e disse ao velho que queria comprar-lhe uma das suas filhas. O velho ficou muito incomodado, contou-lhe o que tinha acontecido no dia anterior e recusou-se a fazer negócio. O moço o ameaçou de morte e o velho cedeu.
Se o primeiro cavaleiro deu muito dinheiro, este ainda deu mais e foi-se embora.
O velho de novo não quis continuar a fazer as gamelas e a sua mulher o aconselhou até ele continuar a fazer . Pela tarde seguinte, apareceu outro cavaleiro ainda mais bonito e em melhor montaria e, pela mesma forma carregou-lhe a filha mais moça, deixou ainda mais dinheiro.
A família ficou muito rica. Depois apareceu a velha Pejada e deu à luz um filho, que foi criado com muito luxo e mimo. Quando chegou o tempo do menino ir para a escola, um dia brigou com um companheiro e este lhe disse:
_Ah! Tu cuidas que teu pai foi sempre rico!Ele hoje está assim porque vendeu tuas irmãs...
O menino ficou muito pensativo e não disse nada em casa mas, quando tornou-se homem feito, num certo dia, armou-se de um alfanje e foi ao pai e a mãe e lhes disse que contassem a história de suas três irmãs, senão os matava. O pai contou o que tinha se passado antes de le nascer. O moço então pediu aos pais para sair pelo mundo em busca das três irmãs, e partiu.
Chegando num caminho, viu numa casa três irmãos brigando por causa de uma bota, uma carapuça e uma chave. E lê chegou e perguntou o que era aquilo e para que prestavam aquelas coisas.
Os três irmãos responderam que bastava calçar a bota e pedir:
_’Bota me bota em tal parte’
E a bota botava.
À carapuça:
_Esconde-me carapuça!’
E a carapuça escondia a pessoa que ninguém a via.
E a chave, abria qualquer porta.
O moço ofereceu bastante dinheiro pelos objetos, os irmãos aceitaram e ele partiu.
Quando se afastou da casa, ele calçou a bota e disse:
_Bota me bota na casa de minha primeira irmã!
Quando abriu os olhos estava lá. A casa era um palácio. Ele pediu para falar com a irmã. Ela, não quis aparecer pois dizia nunca ter tido um irmão. Então, ele contou a história, sua irmã acreditou e o tratou muito bem.
Perguntou como ele tinha chegado. Ele falou da bota para ela. Conversaram muito e ela chorou. Contou ao irmão que seu marido era o rei dos peixes, ele era zangado quando ia jantar, não gostava de ver ninguém no palácio. Ele falou da carapuça e, quando o rei zangado chegou, aos pulos e pancadas, a rainha perguntou:
_Se aqui viesse um irmão meu, cunhado seu, o que você faria?
O irmão apareceu e foi muito considerado.
No dia da despedida, o rei deu carneiros ao cunhado uma lã dizendo:
_ Quando estiver em perigo diga valha-me rei dos carneiros!
Ele foi a casa da sua irmã mais moça. Era um palácio ainda mais bonito e rico que os outros dois. Era o palácio do rei dos pombos, e este, na despedida deu a ele uma pena com as palavras: ‘Quando estiver em perigo diga valha-me rei dos pombos!’.
Logo que o moço se viu bem longe do palácio calçou a bota e disse:
_Bota me bota agora na terra da rainha de Castela.
Assim foi.
Chegou lá, ele indagou e viu que era a princesa que o pai queria casar e que era tão bonita que ninguém passava em frente do palácio que não olhasse logo para cima para vê-la na janela. Mas, a princesa tinha dito ao rei que só se casava com o homem que passasse por ela sem levantar a vista.
Ele foi passar, atravessou toda a distância sem olhar e a princesa casou com ele. Depois de casados, ela indagou pela significação daqueles objetos que seu marido sempre trazia consigo e ele, tudo lhe contou. A princesa prestou muita atenção ao prestígio da chave.
O rei, seu pai, tinha no palácio um quarto que nunca se abriria e, neste quarto, onde todos eram proibidos de entrar, estava, desde muito tempo, trancado um bicho Manjaléu, muito feroz. A moça de muita curiosidade de ver o tal monstro e, aproveitando a saida do pai e do marido para uma caçada, pegou na chave encantada e a briu o quarto. O bicho pulou de dentro dizendo:
_A ti mesmo é que eu quero!
E fugiu com ela para as brenhas.
Quando voltaram, os caçadores deram por falta da princesa e ficaram aflitos. O rei foi ao quarto do Manjaléu e achou-o aberto e vazio e o novo príncipe reconheceu a sua chave. Então, valeu-se de sua bota e foi até onde estava a sua mulher. Esta, quando o viu, estando ausente o bicho Manjaléu, ficou muito alegre e quis ir-se embora com ele. Mas, o marido não consentiu, dizendo que ela ficasse ainda para indagar do monstro onde estava a sua vida, para assim dar cabo dele.O príncipe foi embora.
Quando o Manjaléu voltou, conheceu que ali tinha estado bicho-homem. A moça o dissuadiu e, quando ele se acalmou, ela perguntou onde estava a sua vida.
O monstro zangou-se muito e disse:
_Ah! Tu queres saber de minha vida mais o teu marido para darem cabo de mim... Não te digo não!
Passaram-se dias, sempre a moça instando. Afinal, ele foi amolar um alfanje, dizendo:
_ Eu te digo onde está a minha vida, mas se eu sentir qualquer incômodo, conheço que ela está em perigo e, antes que me matem, eu mato a ti primeiro. Queres saber?
A princesa responde:
_ Quero sim!
O Manjaléu amolou o alfanje e disse-lhe:
_ Minha mão está no mar! Dentro do mar há um caixão; dentro do caixão há uma pedra; dentro da pedra, uma pomba; dentro da pomba um ovo; dentro do ovo uma vela. Assim que a vela apagar, eu morro!
O bicho saiu e foi procurar frutas. Chegou o príncipe , soube de tudo e foi-se embora. O Manjaléu veio e deitou-se no colo da moça como alfanje ali perto.
O príncipe chegou com sua bota à praia do mar, num instante lá pegou na escama que tinha e disse:
_ Valha-me rei dos peixes!
De repente uma cardume de peixes apareceu perguntando o que ele queria.
O príncipe perguntou por um caixão que havia no fundo do mar. Os peixes disseram que nunca tinham visto e só o peixe do rabo cotó poderia saber. E foram chamar o peixe do rabo cotó e este respondeu:
_ Neste instante dei um encontrão nele.
Todos os peixes mergulharam em busca do caixão. Quando trouxeram, o príncipe abriu e deu com a pedra. Ai, pegou na lãzinha e disse:
_ Valha-me rei dos carneiros!
De repente apareceram muitos carneiros e começaram a dar marradas na pedra.
O Manjaléu já começou a sentir-se doente, e dizia:
_ Minha vida, princesa, corre perigo!
E pegou no alfanje. A moça o foi dissuadindo e engabelando.
Os carneiros quebraram a pedra e voou uma pomba. O príncipe pegou na pena e disse:
_ Valha-me rei das pombas!
E chegaram muitos pombos e voaram atrás da pomba, até que a pegaram.
O príncipe abriu a pomba e achou o ovo.
Quando estava nisto, o Manjaléu estava muito desfalecido, pegou no alfanje para dar um golpe na princesa. Foi quando o príncipe quebrou o ovo e apagou a vela. Então o bicho caiu, sem ferir a moça. O príncipe foi ter com ela e levou-a para o palácio, onde houve muitas festas.Estória escrita por: Litaiane Torres Alves
O CAÇADOR
Um dia, um homem foi caçar e quando entrou na mata encontrou-se com uma onça. O homem começou a correr, com medo da onça e quando viu que a onça ia alcança-lo, começou a correr em torno de uma árvore mas, a onça continuava a persegui-lo. Ele tentou subir na árvore e começou a escorregar. Quando ele foi contar essa história para os amigos, um deles disse:
_ Se um negócio desses fosse comigo, eu tinha me borrado.
Ai ele disse:
_ E em que você acha que eu estava escorregando.
Estória contada por: Antonio Coriolano da Costa
Estória escrita por: Valdênia Cristine Dantas de Oliveira
ESTÓRIAS DE CAMONGE
Em um reino muito distante, morava Kamonge, um homem muito inteligente. Todos os dias, assim que acordava, Kamonge subia em cima de uma pedra grande e ficava observando a paisagem ao redor.
Um dia, o rei e alguns de seus súditos, antes de Kamonge acordar, levantaram a pedra e colocaram uma folha de papel embrulho debaixo, o rei e seus súditos esperaram Kamonge acordar. Quando Kamonge acordou e subiu em cima da pedra, olhou para cima e para baixo, para esquerda e para direita e o rei perguntou:
_ O que foi que aconteceu, Kamonge?
E Kamonge logo respondeu:
_ Ou a terra subiu ou o sol desceu, nem que seja da finura de uma folha de papel embrulho.
Então o rei percebeu que não poderia enganar Kamonge, pois ele era o homem mais sabido do mundo.Estória contada por: João Fernandes
Estória escrita por: Cezário Fernandes de Souza Júnior
*Utilizamos o vocábulo estória porque, segundo a nossa tradição e em conformidade com o dicionário Michaelis, editado em São paulo, em 2002, refere-se a contos de ficção.
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