terça-feira, 19 de janeiro de 2010 Tags: , , 0 comentários

ESTÓRIAS DE TRANCOSO / 9ºB


[DSC05332.JPG]                          

APRESENTAÇÃO 
Contar *ESTÓRIAS DE TRANCOSO era um antigo costume existente em Apodi. Geralmente, eram as pessoas idosas que, ao anoitecer, reuniam em torno de si crianças sedentas de ouvir estórias e viajar nos caminhos férteis da imaginação, numa época em que as mídias de entretenimento ainda não tinham adentrado as nossas casas.
Pretendendo  reaver  esse costume, a Prof.ª MARIA FRANCISCA orientou os alunos do 9º B, a buscarem, dentre pessoas da comunidade, a quem agradecemos por tão valiosa contribuição, aquelas que pudessem lhes contar uma estória de Trancoso para que eles, os discentes, escrevessem o texto conforme narrado pelo contador de estórias. Dessa forma, o livro foi escrito e as estórias recontadas em sala de aula.
Nos resta afirmar, que é sempre uma satisfação levar a público um trabalho construído por nossos alunos, tirar do prelo e ver impresso, em sua primeira edição, as divertidas ESTÓRIAS DE TRANCOSO. 


O JARDINEIRO

    Era uma vez uma família muito unida. Era o pai que se chamava Joaquim, a mãe que se chamava Genoveva e a filha que se chamava Cris.
    Certo dia a mãe de Cris adoeceu. Seu Joaquim muito preocupado, foi chamar o médico da família, mas nada adiantou, D.Genoveva faleceu.
    Seu Joaquim, fazendeiro muito rico, não passou dois meses viúvo e arranjou logo uma noiva. Todos os dias a noiva de Seu Joaquim que se chamava Tereza, ia banhar Cris. Banhava, penteava seus cabelos, trocava suas roupas e brincava com ela. Tudo isso acontecia quando Seu Joaquim estava em casa. Quando ele não estava, ela ajudava com Cris. Aproximou-se o dia do casamento, Cris ficou muito  triste e o pai dela perguntou por quê ela estava tão triste e ela respondeu que estava tudo bem.
    Passaram dois anos, mas a menina continuava triste. O pai viajava muito e ela se sentia muito só. A madrasta judiava cada vez mais com ela.
Um dia Cris arrumou a casinha de brinquedos e começou a brincar. A madrasta notou que ela estava feliz e chamou-a para olhar os figos das figueiras que estavam na bacia para secar e disse que se ela deixasse os pássaros picarem, enterrava-a viva. Até que a menina ficou olhando muito  e nada de pássaros. Voltou para seus brinquedos e continuou a brincar. Ao chegar, a madrasta viu que não tinha mais nenhum dos figos na bacia e pegou a menina pelos cabelos e judiou muito. Até que Cris desmaiou e a madrasta enterrou-a. Amanhecendo o dia, Cris ainda enterrada, um jardineiro que estava ali com uma enxada, tirava todo aquele mato, quando de repente, escuta uma voz doce de uma menina cantando:
                                   ‘Jardineiro do meu pai
                                    Não me corte os cabelos
                                    Minha mãe me penteou
                                    A madrasta me enterrou
                                    Pelo figo da figueira
                                    Que o passarinho picou’
    O jardineiro chama um vizinho ali perto e diz a ele o que escutou.      O vizinho não acredita mas, com pouco tempo, a menina volta a cantar:
                                   ‘Jardineiro  do meu pai
                                    Não me corte os cabelos
                                    Minha mãe me penteou
                                    A madrasta me enterrou
                                    Pelo figo da figueira
                                    Que o passarinho picou’
    O jardineiro pega a sua enxada e começa a cavar. A cada cavada que ele dava arrancava os cabelos da menina. Ao tirar viu que era Cris, a filha de Seu Joaquim, o fazendeiro. Ligeiramente, o jardineiro chama seu pai e ele a leva para o hospital. Chegando em casa, a madrasta tinha saído e o pai pergunta a sua filha:
_O que aconteceu filha?
_ Não pai, tenho medo de te dizer...
_ Filha, pode me contar, preciso saber o que houve.
    Cris explica tudo que vinha acontecendo há muito tempo, até  que seu pai falou:
_ Filha não se preocupe, não saia deste quarto agora, pois quando você sair daqui não vai mais encontrar aquela bruxa da Tereza aqui.
    De repente, seu pai Joaquim sai de casa e encontra com a madrasta. Ele pega dois cavalos, amarra o rabo de um cavalo em uma das pernas de Tereza e no rabo do outro cavalo, amarrou na outra perna de Tereza. Ele bota um cavalo pra um lado e um cavalo para o outro Quando os cavalos avançam em direções opostas a madrasta não resiste e morre.
Estória contada por: Maria das Graças
Escrita por: Ana Beatriz Mota Morais


O TESOURO  ENTERRADO

Era uma vez, no reino das borboletas, um rei chamado Crioulo. Ele tinha um filho chamado Sabá que estava procurando uma rainha para se casar. Por ali havia uma princesa muito rica e egoísta que não gostava de dividir sua fortuna.
Os pais dos dois marcaram a casamento com o Senhor Coelho. O dia esperado chegou. Fizeram uma linda festa de casamento e com o tempo tiveram um filho de duas cabeças e três dentes em cada boca. Uma cabeça falou:
_ Não tenha medo, só vou lhe dizer
   Outro filho vocês não vão ter!
    A outra cabeça também falou:
_ Peguem sua fortuna e dêem aos pobres ou o pior vai acontecer!
    E em seguida morreu.
    O rei morreu do susto que teve e a rainha com tanta ganância não quis dar a sua fortuna a ninguém, foi enterrar a sua fortuna. No outro dia a rainha morreu e como castigo de não ter ouvido o seu filho o seu espírito ficou vagando por ai e só terá descanso no dia que alguém desenterrar o seu tesouro.
Estória escrita por: Tárcia Tamária da Costa Silva
 

DONA CAROCHINHA

     Era uma vez uma moça velha que se chamava Dona Carochinha. Ela era uma costureira muito trabalhadeira e andava a procura de algum moço para se casar. Até que um dia ela saiu de sua casa a procurar e cantava assim:
_Quem quer casar com Dona Carochinha que tem dinheiro na Caixinha?
Um bode que ali estava fala:
_ Eu quero!
_ Como é sua fala?
E o bode :
_ Me, me, me, me!
_Quero não! Berrando assim acorda até meu vizinho!
E continuou procurando:
_Quem quer casar com Dona Carochinha que tem dinheiro na Caixinha?
Até que apareceu um gato e falou:
_ Eu quero!
_ Como é sua fala?
E o gato:
_ Miau, miau, miau, miau!
_Quero não! Miando assim acorda até meu vizinho!
Na sua busca por um marido ela passa por muitos bichos: o coelho, o cachorro, o boi... até que encontra o rato e pergunta:
_ Como é sua fala?
E o rato:
_ Chi, chi, chi, chi!
Dona Carochinha resolve querer o rato e casa com ele, sem ninguém saber, pois não queria que ninguém soubesse que era casada com um rato.
Certo dia, ela deixa Dom Ratinho em casa, cuidando do almoço. Uma panela quente estava no fogão cozinhando feijão com saborosos pedaços de queijo e Dom Ratinho, sem resistir ao cheiro do queijo, tentou pegar um pedaço, coitado, caiu dentro da panela!
 Ao chegar, Dona Carochinha encontra Dom Ratinho dentro da panela quente e fica apavorada. Pega pelo rabo do ratinho, puxa e vê que está morto! Então começa a chorar.
A porta olha pra ela e pergunta:
_ Por que está chorando  Dona Carochinha?
_ Por que não hei de chorar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora.
A porta diz:
_ Então eu vou abrir e fechar.
O  banco pergunta a porta:
_ Por que você está só abrindo e fechando?
A porta responde:
_ Por que não hei de chorar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha.
O banco fala:
_ Então eu vou pular!
O pé de laranjeira olha pro banco e pergunta:
_ Por que  você está pulando?
_ Por que não hei de pular? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula.
O pé de laranjeira responde:
_ Então eu vou cair as folhas!
O canário que passava por ali, viu o estado da laranjeira e perguntou:
 _ Por que ontem você estava tão verdinha e hoje não está mais e  ainda deixou cair todas as folhas?
_Por que não hei de deixar cair as minhas folhas? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas.
 O canário fala:
_ Então eu vou cair o rabo!
O canário foi beber água na lagoa e a lagoa pergunta:
_ Cadê seu rabo? Deixou cair  por que?
_ Por que não hei de deixar meu rabo cair? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o  rabo.
A lagoa então diz:
_ Então eu vou secar!
Uma negra sai de sua casa com um pote na cabeça para pegar água na lagoa. Quando vê que está seca pergunta:
_ Lagoa, por que deixou a água secar?
_ Por que não hei de secar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o  rabo. A lagoa seca.
A negra fala:
_ Então eu vou quebrar o pote!
Quando a negra chega em casa seu marido pergunta:
_ Cadê o pote com a água que você foi pegar?
_ Eu quebrei.
_ Por que você quebrou?
_Ora! Por que não hei de quebrar? Se Dom Ratinho morreu queimado, Dona Carochinha chora! A porta abre e fecha! O banco pula! Pé de laranjeira cai as folhas! Canário cai o  rabo! A lagoa seca. A negra quebra o pote.
_ Então negra, você uma surra agora! Negra safada!
Estória contada por: Francisca Antonia
Estória escrita por: Érika Moraes Pereira

AQUILLES

      Um dia o rei de um castelo muito grande e belo disse a Camonge:
      _ Camonge! O que é o melhor da galinha?
      E Camonge disse:
      _ O ovo.
      Um ano depois Camonge e o rei foram caçar e Camonge saiu na frente. O rei perguntou:
     _ Camonge! Com que?
     _ Com sal!
     Um Dia o rei disse a Camonge:
     _ Você me dá notícia do meu cavalo?
     E Camonge não respondeu. Todas as vezes que o rei via Camonge ele perguntava sobre o cavalo. Um dia Camonge descobriu que o rei tomava banho no rio toda manhã. Quando o rei entrou dentro do rio e depois a rainha pulou pelada, com as pernas abertas, o rei disse:
    _ Vi o mundo todo!
   E Camonge disse ao longe:
   _ Não viu o cavalo  por ai não?
   Quando o rei percebeu que Camonge estava espiando os dois, foi embora com a rainha e nunca mais o rei voltou para o rio e o cavalo nunca mais apareceu.
Estória contada por: Gerôncio
Estória escrita por:  Ítalo Moisés Gomes dos Santos Silva

PROJETO DE LER NO REINADO

  Era uma vez um rei que ofereceu um jantar de peixe ao povo. Quem jantasse virasse o peixe seria condenado a morte.
Certa vez, o conde chamou um caboclo velho para ir ao reinado  mais ele. E  o rei não disse a ele que não virasse o peixe. E chegaram mesmo na hora do jantar. Começaram a comer  e o caboclo velho virou o peixe e o conde ficou preocupado. Todo mundo foi saindo e alguém falou que o caboclo velho tinha virado o peixe durante o jantar. Então levaram o caboclo velho para a prisão, com direito a fazer três pedidos. Só não podia pedir para não morrer.O conde voltou para casa triste.
O caboclo velho tinha um filho. O filho do caboclo disse para a sua mãe:
_ Mamãe eu vou morrer no lugar do meu pai!
E saiu para conversar com o rei.
_ Vossa Majestade eu vim aqui para morrer no lugar do meu pai. Sou um cabra moço, posso morrer no lugar dele.
O rei falou:
_ Você sabe o meu decreto. Eu vou liberar o seu pai e você faz três pedidos, só não pode pedir para não morrer.
O rei mandou soltar o caboclo velho e ele saiu muito triste pois seu filho ia morrer.
Chegou a pessoa do rei  e disse para o filho do caboclo velho:
_ Sabe que vai morrer. Faça seu primeiro pedido. Só não pode pedir para não morrer!
     _ Vou fazer um pedido. Diga lá ao seu rei para comprar uma casa bem bonita e um comércio maior da cidade.
      No outro dia foi o segundo pedido. E o moço falou:
     _  Eu não preciso de nada.
      E o portador respondeu:
     _  Diga logo seu pedido.
     O moço falou:
     _  Antes de  morrer eu quero casar com a filha dele.
     _ Pedido é pedido...
     E assim o prisioneiro casou com a filha do rei.
     No outro dia, veio o terceiro pedido.
     _ Antes de morrer, quero ver quem viu o meu pai virando o peixe e quero que fure os dois olhos dessa pessoa.
     E fizeram perguntas a um e outro. Porém, ninguém viu e o peixe não foi virado.
     O filho do caboclo casou com a filha do rei  e o caboclo ficou com seu comércio e sua casa grande e bonita.
Estória escrita por: Andrews Alves Ferreira

    

OS DOIS FAZENDEIROS

  Era uma vez dois fazendeiros. Um rico e um pobre. As fazendas eram vizinhas. O pobre tinha um filho muito bonito e o rico tinha uma filha muito bonita. Ela se apaixonou pelo rapaz pobre, mas o pai dela não queria por ser o rapaz muito pobre.
O pai da moça mandou um dinheiro para o rapaz ir embora. A moça ficou muito triste.
Depois apareceu um rapaz rico ai, o pai dela disse que ela tinha que casar com o rapaz. Ela ia fazer o gosto do pai.
Organizaram uma festa muito bonita para o casamento. Só que antes todo mundo tinha que fazer um discurso. Na vez da noiva discursar, o rapaz pobre chegou em uma nave. Ela o reconheceu e ele disse:
_ Papai, o senhor tem uma mala   que perde a chave e manda fazer uma nova. Na hora que a chave nova chega o senhor acha a chave velha. Com qual chave a senhor abre a mala?
Ele respondeu:
_ A velha.
A noiva disse:
_  Então meu noivo é esse! E apontou  para o rapaz pobre.
Daí conheceu a festa foi tão bonita que o rapaz rico abraçou os  dois. Ele entendeu tudo e ele disse para o rapaz rico que ele tinha lutado por ela e venceu todas as humilhações.
Depois da festa ele casou. Na mesma festa eles foram embora em uma  nave que ele tinha chegado.
     Eles  foram para uma fazenda que ele tinha comprado e viveram felizes para sempre.
Estória escrita por: Viviane Sandy Holanda Campelo


AS  MOEDAS

  O homem entrou na igreja e encontrou nos pés do santo, várias moedas. Ele olhou para um lado e para o outro e não viu ninguém. Pegou as moedas, botou no bolso, olhou para o santo e disse:
_ É emprestado, depois eu pago!
Deixa que tinha um soldado olhando e ele não viu. Depois de um longo tempo, o soldado encontrou o homem na rua e disse:
_ Você já foi pagar o dinheiro do santo?
O homem assustado disse:
_ Não, mas vou agora pagar o dinheiro do santo.
E foi.
Quando chegou lá disse:
_ Ta aqui seu dinheiro! Era preciso dá parte?
                       ‘Passa perna de pinto
                        Passa perna de pato
                        senhor rei mandou dizer
                        que contasse mais quatro’

Estória contada por: Prof. Antonio Coriolano ( Totonho)
Estória escrita por: Ítala Mayara Fernandes de Azevedo

O PALÁCIO

     Uma vez existiu um velho casado, que tinha três filhas muito bonitas. O velho era muito pobre e vivia de fazer gamelas para vender. Certo dia chegou à sua  porta um moço muito formoso, montado num belo cavalo e lhe falou para comprar um de suas filhas.
O velho ficou muito magoado, e disse que, por ser pobre não haveria de vender sua filha. O moço disse-lhe que se não vendesse, o mataria. O velho, intimidado,  vendeu a moça e recebeu muito dinheiro. Retirando-se o cavaleiro, o pai de família não quis mais trabalhar nas gamelas, por julgar que não precisava mais trabalhar.
Mas a sua mulher instou com ele para que não largasse o seu trabalho de consumo,  ele obedeceu.
Quando foi na tarde seguinte, apresentou-se outro moço ainda mais bonito, montado num cavalo ainda mais bem aparelhado e disse ao velho que queria comprar-lhe uma das suas filhas. O velho ficou muito incomodado, contou-lhe o que tinha acontecido no dia anterior e recusou-se a fazer negócio. O moço o ameaçou de morte e o velho cedeu.
Se o primeiro cavaleiro deu muito dinheiro, este ainda deu mais e foi-se embora.
O velho de novo não quis continuar a fazer as gamelas e a sua mulher o aconselhou até ele continuar a fazer . Pela tarde seguinte, apareceu outro cavaleiro ainda mais bonito e em  melhor montaria e, pela mesma forma carregou-lhe a  filha mais moça, deixou ainda mais dinheiro.
A família ficou muito rica. Depois apareceu a velha Pejada e deu à luz um filho, que foi criado com muito luxo e mimo. Quando chegou o tempo do menino ir para a escola, um dia brigou com um companheiro e este lhe disse:
_Ah! Tu cuidas que teu pai foi sempre rico!Ele hoje está assim porque vendeu tuas irmãs...
O menino ficou muito pensativo e não disse nada em casa mas, quando tornou-se homem feito, num certo dia, armou-se de um alfanje e foi ao pai  e a mãe e lhes disse que contassem a história de suas três irmãs, senão os matava. O pai contou o que tinha se passado antes de le nascer. O moço então pediu aos pais para sair pelo mundo em busca das três irmãs, e partiu.
Chegando num caminho, viu numa casa três irmãos brigando por causa de uma bota, uma carapuça e uma chave. E lê chegou e perguntou  o que era aquilo e para que prestavam aquelas coisas.
Os três irmãos responderam que bastava calçar a bota e pedir:
_’Bota me bota em tal parte’
E a bota botava.
À carapuça:
_Esconde-me carapuça!’
E a carapuça escondia a pessoa que ninguém a via.
E a chave, abria qualquer porta.
O moço ofereceu bastante dinheiro pelos objetos, os irmãos aceitaram e ele partiu.
 Quando se afastou da casa, ele calçou a bota e disse:
_Bota me bota na casa de minha primeira irmã!
Quando abriu os olhos estava lá. A casa era um palácio. Ele pediu para falar com a irmã. Ela, não quis aparecer pois dizia nunca ter tido um irmão. Então, ele contou a história, sua irmã acreditou e o tratou muito bem.
Perguntou como ele tinha chegado. Ele falou da bota para ela. Conversaram muito e ela chorou. Contou ao irmão que seu marido era o rei dos peixes, ele era zangado quando ia jantar, não gostava de ver ninguém no palácio. Ele falou da carapuça e, quando o rei zangado chegou, aos pulos e pancadas, a rainha perguntou:
_Se aqui viesse um irmão meu, cunhado seu, o que você faria?
O irmão apareceu e foi muito considerado.
No dia da despedida, o rei deu carneiros ao cunhado uma lã dizendo:
_ Quando estiver em perigo diga  valha-me rei dos carneiros!
Ele foi a casa da sua irmã mais moça. Era um palácio ainda mais bonito e rico que os outros dois. Era o palácio do rei dos pombos, e este, na despedida deu a ele uma pena com as palavras: ‘Quando estiver em perigo diga valha-me rei dos pombos!’.
Logo que o moço se viu bem longe do palácio calçou a bota e disse:
 _Bota me bota agora na terra da rainha de Castela.
Assim foi.
Chegou lá, ele indagou e viu que era a princesa que o pai queria casar e que era tão bonita que ninguém passava em frente do palácio que não olhasse logo para cima para vê-la na janela. Mas, a princesa tinha dito ao rei que só se casava com o homem que passasse por ela sem levantar a vista.
Ele foi passar, atravessou toda a distância sem olhar e a princesa casou com ele. Depois de casados, ela indagou pela significação daqueles objetos que seu marido sempre trazia consigo e ele, tudo lhe contou. A princesa prestou muita atenção ao prestígio da chave.
O rei, seu pai, tinha no palácio um quarto que nunca se abriria e, neste quarto, onde todos eram proibidos de entrar, estava, desde muito tempo,  trancado um bicho Manjaléu, muito feroz. A moça de muita curiosidade de ver o tal monstro e, aproveitando a saida do pai e do marido para uma caçada, pegou na chave encantada e a briu o quarto. O bicho pulou de dentro dizendo:
_A ti mesmo é que eu quero!
E fugiu com ela para as brenhas.
Quando voltaram, os caçadores deram por falta da princesa e ficaram aflitos. O rei foi ao quarto do Manjaléu e achou-o aberto e vazio e o novo príncipe reconheceu a sua chave. Então, valeu-se de sua bota e foi até onde estava a sua mulher. Esta, quando o viu, estando ausente o bicho Manjaléu, ficou muito alegre e quis ir-se embora com ele. Mas, o marido não consentiu, dizendo que ela ficasse ainda para indagar do monstro onde estava a sua vida, para assim dar cabo dele.O príncipe foi embora.
Quando o Manjaléu voltou, conheceu que ali tinha estado bicho-homem. A moça o dissuadiu e, quando ele se acalmou, ela perguntou onde estava a sua vida.
  O monstro zangou-se muito e disse:
_Ah! Tu queres saber de minha vida  mais o  teu marido para darem cabo de mim... Não te digo não!
Passaram-se dias, sempre a moça instando. Afinal, ele foi amolar um alfanje, dizendo:
_ Eu te digo onde está a minha vida, mas se eu sentir qualquer incômodo, conheço que ela está em perigo e, antes que me matem, eu mato a ti primeiro. Queres saber?
A princesa responde:
_ Quero sim!
O Manjaléu amolou o alfanje e disse-lhe:
_ Minha mão está no mar! Dentro do mar há um caixão; dentro do caixão há uma pedra; dentro da pedra, uma pomba; dentro da pomba um ovo; dentro do ovo uma vela. Assim que a vela apagar, eu morro!
O bicho saiu e foi procurar frutas. Chegou o príncipe , soube de tudo e foi-se embora. O Manjaléu veio e deitou-se no colo da moça como alfanje ali perto.
O príncipe chegou com sua bota à praia do mar, num instante lá pegou na escama que tinha e disse:
_ Valha-me rei dos peixes!
De repente uma cardume de peixes apareceu perguntando o que ele queria.
O príncipe perguntou por um caixão que havia no fundo do mar. Os peixes disseram que nunca tinham visto e só o peixe do rabo cotó poderia saber. E foram chamar o peixe do rabo cotó e este respondeu:
_ Neste instante dei um encontrão nele.
Todos os peixes mergulharam em busca do caixão. Quando trouxeram, o príncipe abriu e deu com a pedra. Ai, pegou na lãzinha e disse:
_ Valha-me rei dos carneiros!
De repente apareceram muitos carneiros e começaram a dar marradas na pedra.
O Manjaléu  já começou a sentir-se doente, e dizia:
_ Minha vida, princesa, corre perigo!
E pegou no alfanje. A moça o foi dissuadindo e engabelando.
Os carneiros quebraram a pedra e voou uma pomba. O príncipe pegou na pena e disse:
_ Valha-me rei das pombas!
E chegaram muitos pombos e voaram atrás da pomba, até que a pegaram.
O príncipe abriu a pomba e achou o ovo.
Quando estava nisto, o Manjaléu estava muito desfalecido, pegou no alfanje para dar um golpe na princesa. Foi quando o príncipe quebrou o ovo e apagou a vela. Então o bicho caiu, sem ferir a moça. O príncipe foi ter com ela e levou-a para o palácio, onde houve muitas festas.
Estória escrita por: Litaiane Torres Alves

O CAÇADOR

     Um dia, um homem foi caçar e quando entrou na mata encontrou-se com uma onça. O homem começou a correr, com medo da onça e quando viu que a onça ia alcança-lo, começou a correr em torno de uma árvore mas, a onça continuava a persegui-lo. Ele tentou subir na árvore e começou a escorregar. Quando ele foi contar essa história para os amigos, um deles disse:
  _ Se um negócio desses fosse comigo, eu tinha me borrado.
Ai ele disse:
_ E em que você acha que eu estava escorregando.
Estória contada por: Antonio Coriolano da Costa
Estória escrita por: Valdênia Cristine Dantas de Oliveira

ESTÓRIAS DE CAMONGE

 Em um reino muito distante, morava Kamonge, um homem muito inteligente. Todos os dias, assim que acordava, Kamonge subia em cima de uma pedra grande e ficava observando  a paisagem ao redor.
Um dia, o rei e alguns de seus súditos, antes de Kamonge acordar, levantaram a pedra e colocaram uma folha de papel embrulho debaixo, o rei e seus súditos esperaram Kamonge acordar. Quando Kamonge acordou e subiu em cima da pedra, olhou para cima e para baixo, para esquerda e para direita e o rei perguntou:
 _ O que foi que aconteceu, Kamonge?
E Kamonge logo respondeu:
 _ Ou a terra subiu ou o sol desceu, nem que seja da finura de uma folha de papel embrulho.
Então o rei percebeu que não poderia enganar Kamonge, pois ele era o homem mais sabido do mundo.
Estória contada por: João Fernandes
Estória escrita por: Cezário Fernandes de Souza Júnior
*Utilizamos o vocábulo estória porque, segundo a nossa tradição e em conformidade com o dicionário Michaelis, editado em São paulo, em 2002, refere-se a contos de ficção.
Consulte o link abaixo para maiores esclarecimentos:

No Response to "ESTÓRIAS DE TRANCOSO / 9ºB"